Filas extensas de carros e motocicletas começaram a se formar em postos de combustíveis da capital acreana, Rio Branco, na manhã desta terça-feira (22). O motivo são os bloqueios ilegais feitos por bolsonaristas em trechos da BR-364, em Rondônia. Motoristas correram para os postos tentando garantir o abastecimento e não ficar sem gasolina.
Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Acre (Sindepac), alguns postos na capital já estão sem combustível. Em nota, o sindicato pediu que o governo do Acre tome providências para tentar negociar a passagem dos caminhões. A nota destaca também que motoristas correm risco de agressões na estrada. (Veja a nota na íntegra)
“Entendemos que há a necessidade urgente do poder público, através do Governo Estado do Acre, intervir nesta questão junto ao Governo do Estado de Rondônia”, diz parte da nota.
Na tarde desta terça (22), a Polícia Rodoviária Federal de Rondônia (PRF-RO) informou que não há mais nenhum ponto de interdição na BR-364. Mas, durante a manhã, eram quatro trechos interditados. Não há bloqueios em rodovias federais do Acre, mas os bloqueios em RO impedem que as cargas passem para o lado acreano.
Busca por combustível
O técnico em contabilidade Luís Carlos Assis foi um dos motoristas que enfrentaram fila para garantir o abastecimento. Ele afirmou que a situação gera preocupação em todo mundo. “Todo mundo está se prevenindo e colocando um pouco de combustível para poder aguardar, infelizmente, o pior”, lamentou.
O consultor agropecuário Rubenelton Souza falou que o desabastecimento de combustível acaba refletindo na garantia de outros suprimentos. “Infelizmente, é a consequência, o país vai passar por alguns problemas e o combustível é o primeiro afetado. Isso vai afetar todo segmento, não tenha dúvidas”, criticou.
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Menos ônibus nas ruas
Outro setor afetado com a falta de combustível é o transporte público. Dos 101 veículos que circulam diariamente na zona urbana e rural da capital, apenas 71 estão atendendo a população a partir desta terça para economizar combustível. A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans) anunciou a redução na frota nessa segunda (21)
Por conta disso, passageiros de ônibus enfrentaram espera e lotação por causa da diminuição da quantidade de veículos em circulação.
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Escassez de alimentos
Conforme o presidente da Associação Comercial do Acre (Acisa), Marcelo Moura, o comércio já começou a sentir a falta de alguns produtos, como é o caso dos alimentos perecíveis, que têm baixo estoque e são os primeiros afetados quando há algum impedimento de transporte pela rodovia.
“Estamos à beira de um colapso de desabastecimento, alguns setores muito mais prejudicados, dos perecíveis, principalmente, temos pelo menos seis pontos de interrupção do trânsito entre Vilhena e Rio Branco, é a única BR e isso interrompe nosso abastecimento. Postos já alguns sem combustível, já fechados hoje, produtos perecíveis em falta nos supermercados e daqui para domingo [27] a tendência é que vá esvaziando as prateleiras mesmo. Existe também essa reação do público quando acha que vai faltar, já começa a estocar, então já estamos vivendo isso, infelizmente, e não tem nenhuma previsão de volta da normalidade”, disse Moura.
Ele afirmou ainda que empresas de São Paulo já pararam de carregar para o Acre. “Transportadora de São Paulo não carrega porque sabe que vai ficar parado na estrada. Então, a tendência é que a gente tenha um problema muito grande na próxima semana.”
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Falta cimento
O presidente da Federação das Indústrias do Acre (Fieac), José Adriano informou que os empresários já relatam, por enquanto, a falta de cimento, o que, segundo ele, acaba prejudicando, sobretudo, o setor da construção civil, além de alguns outros segmentos ligados a ele.
O consultor institucional da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC), Egídio Garó também confirmou que já percebe-se a falta de alguns itens.
“O que mais tem apresentado dificuldades de consumo são os combustíveis. Por conta dos bloqueios que ocorrem em Rondônia, pode-se produzir um cenário em curto prazo para que, efetivamente, se perceba desabastecimento no comércio local, especificamente, naqueles que tratam de gêneros alimentícios adquiridos por meio de importação interna”, afirmou Garó.
Sem cerveja
A Associação de Bares, Restaurantes, Conveniências, Distribuidoras e Eventos do Acre (Abrace), informou que já faltam também cervejas no estado.
“Vários produtos já não tem mais, como embalagens de 600ml, cerveja long neck tem poucas opções, litrão tá em falta também. E, segundo a gerência da Ambev que representa 70% do mercado, enquanto não abrir a estrada não terá produtos”, afirmou o presidente da Abrace, Leôncio Castro.
Nota do Sindepac na íntegra:
“O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Acre (Sindepac), vem por meio desta esclarece o que segue:
Todos têm acompanhado na imprensa nacional e local que ainda há alguns bloqueios nas estradas de nosso país, dentre elas a BR-364 que interliga Rio Branco, Acre a Porto Velho, RO, que é estrada onde circulam carretas de combustíveis que abastecem o mercado de combustível do Estado do Acre, que de fato estes bloqueios na estrada vêm acarretando sérios prejuízos financeiros ao setor empresarial, bem como transtornos a população que é o lado mais vulnerável neste momento.
Entendemos que há a necessidade urgente do poder público, através do Governo Estado do Acre, intervir nesta questão junto ao Governo do Estado de Rondônia, buscando uma solução para desobstrução da estrada e garantir a segurança das pessoas e veículos que circulam pela mesma, haja vista que há relatos de ameaças à integridade física de motoristas e vandalismos com os veículos, pois caso contraria, corremos um sério risco de desabastecimento de combustível na capital e interior nos próximos dias, bem como desabastecimento de outros produtos alimentícios, bens duráreis e perecíveis que chegam ao Estado do Acre por meio da estrada BR-364.
Assim, este sindicato que representa o setor de revendedores de postos de combustíveis no estado do Acre informa que está a disposição e aberto a dialogo com todos os setores da sociedade a fim de encontrar uma solução que possa dar fim a esse problema o qual estamos vivenciando.”
Com informações G1 Acre





