Data de combate à violência contra a mulher reforça importância das denúncias e da proteção no Acre

O Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, celebrado neste sábado (10), chama a atenção para a persistência das agressões e os desafios para garantir proteção às vítimas. No Acre, dados de diferentes levantamentos mostram que a violência doméstica continua sendo uma preocupação, com companheiros e maridos apontados como principais agressores.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, 73% dos casos de agressão contra mulheres no Acre têm maridos ou companheiros como responsáveis. O percentual é o maior entre os estados brasileiros e supera a média nacional, de 62%.

O levantamento também aponta que 22% das mulheres acreanas que sofreram violência continuam morando com o agressor. O índice é o segundo maior do país, atrás apenas de Sergipe, com 23%, e fica acima da média nacional, de 12%.

Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) apontam que o Acre registrou quatro casos de feminicídios em 2026 até o período analisado, sendo três em julho e um em agosto. Apesar da redução de 42,86% em relação ao mesmo período de 2025, os casos reforçam a necessidade de ampliar as medidas de prevenção e proteção.

Outro sinal de alerta é o crescimento dos registros de perseguição contra mulheres. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, o número de casos passou de 240, em 2024, para 281, em 2025, um aumento de 16,6%.

Prisões e combate à violência

No enfrentamento ao problema, a Polícia Civil do Acre informou ter realizado 535 prisões no âmbito da Operação Mulher Segura, sendo 379 autos de prisão em flagrante e 156 mandados cumpridos, conforme balanço divulgado pela instituição.

A data, instituída para reforçar a luta pelos direitos das mulheres e contra a violência de gênero, também destaca a importância de denunciar agressões físicas, psicológicas, ameaças e perseguições.

No Acre, denúncias e pedidos de orientação podem ser feitos pelo Ligue 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.

Outra ferramenta disponível é a Medida Protetiva de Urgência Eletrônica (MPU-e), oferecida pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), que permite solicitar medidas protetivas pela internet, facilitando o acesso à Justiça e a proteção de mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

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