O Senegal intensificou a repressão contra pessoas LGBTQIA+, com centenas de detenções, denúncias de violações de direitos humanos e relatos de testes de HIV realizados sem consentimento. As informações constam em um relatório da organização Human Rights Watch (HRW), divulgado na segunda-feira (12).
Segundo o documento, pelo menos 212 pessoas foram detidas entre fevereiro e julho de 2026. No mesmo período, 82 pessoas foram acusadas de transmissão intencional do vírus HIV.
A repressão foi ampliada após uma mudança na legislação do país. Em 11 de março de 2026, o Parlamento senegalês alterou o artigo 319 do Código Penal e elevou para até dez anos de prisão a pena prevista para relações consensuais entre pessoas do mesmo sexo.
A legislação também estabeleceu penas de até sete anos de prisão para pessoas acusadas de promover a homossexualidade ou de apoiar e financiar indivíduos e organizações LGBTQIA+.
O relatório aponta ainda que o medo de ser identificado tem afastado integrantes da comunidade dos serviços de testagem e tratamento do HIV. Profissionais de saúde ouvidos pela organização alertaram que essa situação pode prejudicar a prevenção, o diagnóstico e o acompanhamento médico.
“Notamos que algumas pessoas fugiram, enquanto outras estão se escondendo”, relatou um médico que atua em Dakar, capital do país.
A Human Rights Watch entrevistou 39 pessoas para elaborar o documento, incluindo pessoas detidas, integrantes da comunidade LGBTQIA+, jornalistas, advogados, profissionais da saúde, representantes da sociedade civil e autoridades.
As denúncias de testes realizados sem consentimento e de outras violações de direitos humanos fazem parte das preocupações apresentadas pela organização sobre os efeitos da repressão no acesso à saúde e na segurança da população LGBTQIA+ no Senegal.





