O Governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), divulgou nesta semana uma nota pública de repúdio às declarações feitas pelo treinador do Vasco da Gama-AC em programas de televisão locais, relacionadas a denúncias de estupro envolvendo atletas sob sua responsabilidade.
No posicionamento oficial, assinado pela secretária de Estado da Mulher, Márdhia El Shawwa, a pasta considera grave o teor das falas, especialmente por colocar em dúvida o trabalho técnico, ético e legal conduzido pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Segundo a secretaria, insinuar parcialidade na condução das investigações representa “um desserviço à Justiça”, além de enfraquecer a confiança da sociedade nas instituições públicas.
A nota também manifesta preocupação com o conteúdo considerado misógino e discriminatório das declarações, ao atribuir às mulheres responsabilidade por condutas praticadas por atletas adultos. O governo reforça que “mulheres não são culpadas por violações de regras institucionais nem por crimes cometidos por terceiros” e que cada indivíduo deve responder por seus próprios atos.
Consentimento e gravidade do crime
Outro ponto destacado pela Secretaria é a tentativa de minimizar a gravidade do crime de estupro. O texto enfatiza que consentimento não é permanente nem automático, e que a ausência de consentimento em qualquer momento caracteriza o crime.
“Sexo sem consentimento é estupro”, reforça a nota, acrescentando que relatos de agressões físicas, como tapas e puxões de cabelo, configuram violência adicional à violência sexual, agravando ainda mais a situação.
Acompanhamento às vítimas
A Secretaria de Estado da Mulher informou que está acompanhando as vítimas do caso e reiterou que nenhuma forma de violência contra a mulher é tolerável — seja física, sexual, psicológica ou institucional.
O governo afirma ainda que discursos que relativizam ou justificam esse tipo de violência contribuem para a perpetuação da desigualdade, silenciam vítimas e dificultam a busca por justiça.
Ao final, o Executivo estadual reafirma o compromisso com a proteção das mulheres, o respeito às vítimas, a valorização das instituições públicas e a promoção de uma cultura de responsabilização, igualdade e respeito.
A nota é assinada pela secretária de Estado da Mulher, Márdhia El Shawwa.







