Saldo da balança comercial avança e já soma US$ 40,7 milhões; a Rota Rondon e a ZPE podem potencializar esse comércio

O Acre fechou o primeiro quadrimestre do ano com um superavit de mais de US$ 40 milhões em sua balança comercial, representando um aumento de 35,3% em relação ao mesmo período do ano anterior (US$ 29,6 milhões). Esse resultado foi fruto de US$ 40,77 milhões em exportações, deduzidos de um total importado de US$ 690 mil. Observou-se um crescimento de 31,9% nas exportações e uma queda de 46,1% nas importações, ambos os dados referentes ao ano de 2024. Na tabela a seguir, constam os indicadores de exportações, importações e balança comercial de todos os primeiros quatro meses dos anos de 2024 e 2025.

ACRE: INDICADORES DO COMÉRCIO EXTERIOR NO PRIMEIRO QUADRIMESTRE DE 2024 e 2025 – Valor US$ FOB
MêsEXPORTAÇÕESIMPORTAÇÕESBALANÇA COMERCIAL
202520242025202420252024
Abril14 418 26415 229 764325 46675 86414 092 79815 153 900
Março11 191 2107 846 41593 476183 31511 097 7347 663 100
Fevereiro6 908 1114 656 039146 41464 4226 761 6974 591 617
Janeiro8 252 0343 176 980125 005956 3338 127 0292 220 647
TOTAL40 769 61930 909 198690 3611 279 93440 079 25829 629 264
Fonte: MINDIC – Secretaria de Comércio Exterior – Secex

Carne bovina e soja dominam as exportações do Acre no primeiro quadrimestre do ano

No mês de abril de 2025, três grupos de produtos superaram os valores registrados em 2024: castanha (+109,6%), bovinos (+108,3%) e madeira (+66,5%). Os demais produtos apresentaram valores inferiores em relação a abril de 2024.

Uma observação importante sobre o desempenho da soja em abril é que, apesar de ter alcançado US$ 6,51 milhões em exportações, o valor ficou abaixo do registrado no mesmo mês de 2024 (US$ 9,3 milhões). Ainda assim, espera-se um crescimento expressivo das exportações de soja nos próximos meses.

Em relação ao primeiro quadrimestre de 2024 e 2025, percebe-se que, apesar do crescimento da soja nos dois últimos meses, o predomínio ainda é da carne bovina, que apresentou um aumento superior a 108% na comparação entre os dois períodos.

Merece também destaque o expressivo crescimento da castanha (109%), impulsionado principalmente pelo aumento dos preços no mercado internacional, que passaram de US$ 1,50 por quilograma líquido no primeiro quadrimestre de 2024 para US$ 2,70 em 2025 — um crescimento de mais de 79%.

Na tabela a seguir, constam os valores exportados de cada grupo de produtos pelo Acre no mesmo período de 2024 e 2025.

Acre: Exportações em janeiro a abril, por grupos de produtos – de 2015 a 2025 – Valor US$ FOB
GRUPOS DE PRODUTOS20252024Variação (%)
Bovinos e Derivados12 880 4913 055 067321,6
Soja12 033 55915 372 012-21,7
Castanha7 499 5393 407 321120,1
Suínos e Derivados5 658 3225 868 811-3,6
Madeira e derivados1 530 7221 660 443-7,8
Milho165 115181 866-9,2
Outros1 001 8711 363 678-26,5
TOTAL40 769 61930 909 19831,90125
Fonte: MINDIC – Secretaria de Comércio Exterior – Secex

A importância da Rota Rondon e da Zona de Processamento de Exportação – ZPE/AC

Com a política tarifária do governo Trump e a aproximação dos países latino-americanos com a China, ganha relevância a iniciativa Rotas de Integração Sul-Americana — um plano do governo federal, lançado no fim de 2023, que propõe integrar a infraestrutura do Brasil com a dos demais países da América do Sul, dinamizando o comércio na região. O Acre será beneficiado com a Rota 2 – Quadrante Rondon, uma malha multimodal que conecta Mato Grosso, Rondônia, Acre e Amazonas ao Oceano Pacífico.

Com a criação dessa infraestrutura, o Acre poderá aprimorar significativamente esse corredor para importar e exportar produtos com alto potencial, como os fornecedores de proteína animal — carnes bovina, suína e de aves —, além da soja, do café e dos produtos da bioeconomia, como madeira manejada, castanha, borracha e outros itens extrativos de valor. São produtos com níveis de produção local em ascensão, sendo que a maioria deles já é comercializada no mercado internacional, mesmo com todas as carências de infraestrutura.

Lanço aqui um desafio: que o governo estadual aproveite a implantação das rotas para fomentar a instalação da Zona de Processamento de Exportação do Acre – ZPE/AC, instrumento fundamental para estimular a industrialização. Considerando sua localização em Senador Guiomard, seria importante a implantação dessa infraestrutura de apoio ao longo das vias de acesso.

Criada em 2010, a ZPE/AC é uma sociedade de economia mista responsável pela gestão da Zona de Processamento de Exportação. O governo estadual tem atuado para tornar a área totalmente regularizada e atrativa para investidores, com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento econômico da região.

As ZPEs são áreas de livre comércio com o exterior, destinadas à instalação de empresas voltadas à produção de bens para exportação. Oferecem incentivos fiscais, cambiais e administrativos, com o objetivo de aumentar a competitividade das exportações acreanas e promover o desenvolvimento regional, facilitando o acesso aos mercados da Bolívia, Peru e países asiáticos.

A ZPE representa uma oportunidade significativa para o desenvolvimento industrial e comercial do estado, com potencial para fortalecer as exportações e atrair investimentos para a região.

A recente reforma tributária brasileira, consolidada pela Lei Complementar nº 214/2025, trouxe mudanças significativas para as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs), com o objetivo de modernizar o sistema tributário e manter a atratividade desses polos industriais voltados à exportação.

Foram mantidos e atualizado os benefícios fiscais

Pela reforma, as empresas instaladas em ZPEs continuam a usufruir de incentivos fiscais, agora adaptados ao novo sistema tributário, com as seguintes características: 1. Suspensão do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). 2. Energia Renovável: O consumo de energia elétrica proveniente de fontes renováveis por empresas nas ZPEs é isento de tributação, incentivando a sustentabilidade e a transição energética. 3. Transações Internas: Operações entre empresas dentro dela ZPE também se beneficiam da suspensão de IBS e CBS, promovendo sinergia e integração industrial.

 Condições e Obrigações

Para manter os benefícios fiscais, as empresas devem: 1. Exportar a Produção: Os produtos devem ser destinados ao mercado externo. Caso contrário, os tributos suspensos devem ser recolhidos com acréscimos legais. 2. Utilizar Bens Corretamente: A utilização indevida ou a revenda antecipada de bens adquiridos com suspensão tributária pode acarretar a perda dos benefícios e a obrigatoriedade de recolhimento dos tributos com multa e juros.

É hora de potencializar os investimentos que serão realizados.

Orlando Sabino escreve às sextas-feiras no Juruá Online.

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