O avanço das águas do Rio Juruá voltou a impactar diretamente a vida de moradores de Cruzeiro do Sul. Nesta segunda-feira (27), o nível do rio chegou a 13,46 metros, ultrapassando a cota de transbordamento e marcando a quinta enchente registrada somente em 2026 no município.
A cheia já atinge pelo menos 11 bairros da cidade: Remanso, Várzea, Olivença, Mitirizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho, São Salvador, Saboeiro e Centro. Ruas alagadas, quintais inundados e dificuldades de locomoção fazem parte da rotina de quem vive nessas áreas, principalmente nas regiões mais baixas.
Apesar do cenário preocupante, ainda não há registro de famílias desalojadas ou desabrigadas. Mesmo assim, o impacto é significativo: ao todo, 930 famílias foram afetadas, somando cerca de 3.720 pessoas que já enfrentam prejuízos, principalmente com a perda de móveis, alimentos e danos em plantações.
Na zona rural, a situação também exige atenção. Sete comunidades foram atingidas: Tapiri, Laguinho, Florianópolis, Humaitá do Moa, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso e Simpatia. Além disso, a vila Santa Rosa também registra impacto direto da cheia.
O volume de água é impulsionado não apenas pelo Rio Juruá, mas também por seus afluentes, que seguem com níveis elevados. Entre eles estão os rios Môa, Juruá Mirim, Valparaíso e Liberdade, contribuindo para a manutenção do cenário de alerta em toda a região.
Em municípios próximos, o comportamento dos rios ainda inspira atenção. Em Marechal Thaumaturgo, o nível está em 12,78 metros e apresenta vazante. Já em Porto Walter, o rio marca 10,98 metros e segue em elevação.
A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros permanecem monitorando a situação de forma contínua, acompanhando o nível das águas e prestando suporte às famílias atingidas. Mesmo sem desabrigados até o momento, o cenário exige vigilância constante, já que o histórico recente mostra um ano atípico, com sucessivas enchentes atingindo o coração do Vale do Juruá.






