
Um grupo de 12 famílias ribeirinhas do Médio Juruá, no Amazonas, comemora a conquista de um dos principais prêmios do setor de alimentos nos Estados Unidos, o SOFI Awards, obtido por uma barra de chocolate feita com cacau silvestre da região. A inscrição foi realizada pelo distribuidor norte-americano da marca Luísa Abram, que trabalha com o cacau extraído e preparado pelos produtores locais.
À frente da cadeia produtiva no Juruá está o pescador e produtor Francisco Osmir Braga Andriola, que desde 2016 coordena a iniciativa com apoio da ONG SOS Amazônia e parceria da Luísa Abram. Segundo ele, o reconhecimento internacional confirma a qualidade do cacau artesanal cultivado na floresta. “É uma sensação muito boa ser ouvido por gente de nível nacional e internacional que acredita no nosso cacau silvestre como um dos melhores do Brasil”, afirmou. Ao mesmo tempo, Andriola destaca a necessidade de apoio financeiro para ampliar a estrutura e incluir mais famílias no projeto.

O diferencial do produto está no manejo e no processamento feitos na origem, em pequenas casas de fermentação e secagem, respeitando as safras e a genética do cacau da região do rio Juruá — família de grãos considerada rara e pouco explorada até recentemente. A Luísa Abram, cuja fábrica fica em São Paulo, utiliza poucos ingredientes para preservar o perfil de sabores de cada origem, valorizando o trabalho artesanal dos produtores amazônicos.
Para a comunidade de Novo Horizonte, em Guajará, o prêmio reforça que o cacau pode ser uma alternativa sustentável de renda, capaz de manter a floresta em pé e fortalecer a economia local.






