Primeira criança a morrer de Covid-19 no AC é homenageada em memorial: “Ele não viveu o que tinha que viver”, diz mãe

spot_img

A vida das quase 2 mil famílias acreanas não foram mais as mesmas após a pandemia de Covid-19. Tentar recomeçar é sempre um desafio diante da dor de perder um ente querido, principalmente para uma doença sorrateira, imprevisível e que não escolhe um público-alvo para atacar. Em meio à saudade que, apesar do tempo, não cessa, a pedagoga Nágila Suely Junqueira dos Santos tenta levar a vida da forma como pode após a partida precoce e dolorosa de seu caçula, Douglas Emanoel, de apenas quatro anos, após contrair o vírus em maio de 2020. Dentre as mais de 1,8 mil vítimas, este é um dos nomes que estão gravados no Memorial às Vítimas da Covid-19, localizado às margens do Lago do Amor, próximo ao Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC) e inaugurado na última terça-feira (11).

A criança sorridente e esperta estava a menos de dois meses de completar cinco anos quando morreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do quinto andar do Pronto Socorro de Rio Branco. O pequeno, que foi a primeira criança a morrer de Covid-19 no Acre, desenvolveu uma inflamação nas células do músculo do coração – conhecida por “miocardite” –, que dentre os motivos, pode ser causada por infecção viral. Sem dúvidas, aquela madrugada de 31 de maio de 2020 jamais sairá da cabeça da mãe.

“Os médicos estavam desolados quando eu entrei na UTI. Eles me deixaram entrar, e estava todo mundo chorando. Ele disse que a equipe parou para ajudar o Douglas, e pediu perdão por não ter conseguido salvar meu filho. Não podíamos vê-lo, mas ele me disse que não tinha coragem de fazer isso com a gente, e nós entramos (para se despedir). A gente já estava com Covid também”, disse, pontuando que em casos de pessoas que morrem de Covid-19 com menos de 14 dias de infecção, não há a possibilidade de velório para evitar possíveis contágios.

Douglas Emanoel morreu aos quatro anos de idade em Rio Branco, em 2020. Foto: Arquivo pessoal.

EXAMES

Foi tudo muito rápido, segundo Nágila. Em 28 de maio de 2020, ele foi diagnosticado com Covid-19, resultado este que só foi possível constatar após a coleta de amostra tirada diretamente da traqueia do pequeno, já que os testes convencionais não positivaram. Antes, os médicos acreditavam que fosse uma virose, tendo em vista que não era muito comum, na época, uma criança desenvolver quadros mais graves de Covid-19.

Registros da mãe na gestação e de um dos aniversários de Douglas Emanoel. Foto: Arquivo pessoal.

“Ele não tossia, não tinha nenhum sintoma da Covid, só vomitava, teve febre alta e desmaiou. Aí o médico mandou dar dipirona e vir pra casa. No quinto dia (de doente), ele começou a vomitar, a delirar e não queria acordar. Ele queria só dormir e até a urina mudou de cor, ficou alaranjada, que foi quando ele me chamou e eu olhei no vaso. Aí eu já corri para a UPA, fizeram um exame e deu uma infecção”, complementou.

Por conta disto, o médico plantonista pediu para a mãe trazer a criança no dia seguinte para que mais exames fossem feitos. Quando fizeram, identificaram lesões no fígado e nos rins. Logo, pensaram em hepatite viral, mas não sabiam a origem daquilo. Até que naquela madrugada, a criança começou a ficar cansada. O médico mediu a saturação, que apontou normalidade, mas a mãe não se contentou, tendo em vista que o menino estava visivelmente abatido.

Via-Contilnet

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS