Nesta quarta-feira (13) vence o prazo de 20 dias estabelecido por ordem judicial para a retirada de famílias que ocupam um terreno particular no bairro da Várzea. A área está ocupada há cerca de três anos e, durante esse período, diversas moradias foram construídas pelos próprios ocupantes. Até o momento, nenhum morador deixou o local.

O proprietário do terreno acionou a Justiça e pediu a reintegração de posse. O processo ainda tramita, mas a ordem de despejo já foi expedida — fixando o prazo que termina hoje. Nossa equipe esteve no bairro e ouviu moradores que permanecem na área, apreensivos com a possibilidade de remoção imediata.
“Aqui foi economia de muitos anos para construir essa casa. É tudo o que nós temos. Não tem para onde ir”, disse a moradora Maria Gomes, relatando que aplicou todas as economias na construção de sua casa e teme ficar sem alternativa de moradia caso o despejo ocorra. “A gente está muito ansioso e muito preocupado… se perder aqui, não sabe para onde vai”, acrescentou.
Segundo Francisco Cauassa, presidente do bairro da Várzea, está marcada uma reunião com o prefeito de Cruzeiro do Sul para buscar negociação envolvendo governo municipal, estadual e o proprietário, na tentativa de garantir a permanência das famílias ou encontrar alternativas. “Acredito que o prefeito é sensível à situação e vai dar um jeito para ajudar as pessoas que estão clamando por moradia”, afirmou. Cauassa disse também que tem tentado sem sucesso resolver o caso junto à prefeitura e pediu que o poder público sente com os moradores para buscar uma solução.
A reportagem procurou o dono das terras, o empresário Abraão Cândido. No local, a equipe foi atendida apenas por funcionários que forneceram o contato de um dos advogados que acompanha o processo na Justiça. A reportagem tentará contato com a defesa para ouvir a versão do proprietário e esclarecer os próximos passos legais.
Com o prazo expirando hoje, a comunidade segue em expectativa. Moradores pedem uma intervenção do poder público e da sociedade para evitar que famílias fiquem desabrigadas caso a desocupação seja executada. A redação acompanhará os desdobramentos e atualizará a matéria assim que obtiver resposta da defesa do proprietário e informações sobre as negociações com o poder público.






