A polícia da Índia prendeu mais de 2 mil manifestantes neste sábado (10), durante protestos realizados em Nova Délhi, capital do país. Os atos foram convocados pelo movimento político conhecido como “Partido das Baratas”, que expressa a insatisfação de parte da juventude indiana com o governo do primeiro-ministro Narendra Modi, no poder desde 2014.
Entre os detidos estão o fundador e líder do movimento, Abhijeet Dipke, de 30 anos, e outros dois integrantes da organização, Saurav Das e Ashutosh Ranka. O trio foi preso no aeroporto de Nova Délhi, após desembarcar de um voo procedente de Mumbai.
A principal reivindicação dos manifestantes é a saída de Gyanesh Kumar, chefe da Comissão Eleitoral da Índia. Ele passou a ser alvo de críticas após uma revisão da lista de eleitores que, segundo as informações divulgadas, retirou cerca de 130 milhões de nomes do cadastro.
“Isso está violando os direitos do povo e o país não vai mais tolerar isso”, afirmou o manifestante Yogendra Solanki enquanto era levado pela polícia.
Segurança reforçada na capital
Os organizadores pretendiam reunir milhares de pessoas nas proximidades de Jantar Mantar, antigo observatório astronômico localizado no centro de Nova Délhi. Antes do início do ato, porém, a área foi isolada pelas forças de segurança.
Policiais e integrantes de forças paramilitares também foram mobilizados em outros pontos da cidade. No distrito comercial central, os serviços de internet móvel foram suspensos, enquanto dezenas de estações de metrô e mercados permaneceram fechados.
Apesar das medidas, manifestantes conseguiram se reunir em diferentes locais da capital, incluindo a região do memorial a Mahatma Gandhi, principal liderança do movimento que levou à independência da Índia em relação ao domínio britânico, em 1947.
Movimento começou nas redes sociais
O “Partido das Baratas” surgiu em maio de 2026, após o chefe da Suprema Corte indiana, Surya Kant, comparar jovens desempregados a baratas. A declaração provocou reações nas redes sociais e contribuiu para o surgimento do movimento.
Inicialmente, o grupo ganhou visibilidade por meio de memes e publicações na internet. Com o passar dos meses, porém, a mobilização ultrapassou o ambiente virtual e passou a ocupar as ruas.
O movimento reúne jovens insatisfeitos com questões como o desemprego e as dificuldades de acesso à educação, além de expressar descontentamento com o governo de Narendra Modi.





