Polícia Civil avança em investigação sobre supostas queimaduras em recém-nascida em Cruzeiro do Sul

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Redação Juruá Online

As investigações sobre o caso da recém-nascida Aurora, que teria sofrido lesões graves após um banho na Maternidade de Cruzeiro do Sul, avançam sob responsabilidade da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. De acordo com o delegado Vinícius Almeida, diversas testemunhas foram ouvidas e relataram que a água utilizada no banho da bebê estava em temperatura elevada, com relatos de vapor visível no ambiente.

Segundo o delegado, testemunhas oculares afirmaram ter colocado a mão na água e sentido que estava muito quente. A mãe da bebê, que nasceu prematura, teria alertado a equipe de enfermagem ao perceber a temperatura, mas não foi ouvida formalmente ainda devido ao seu estado emocional. Apenas o pai da criança prestou depoimento até o momento.

A pediatra responsável pelo acompanhamento da recém-nascida, identificada como doutora Karina, informou em depoimento que Aurora havia recebido alta médica e estava em boas condições de saúde antes do banho. Segundo a médica, o procedimento foi recomendado apenas para que a criança seguisse para casa limpa.

A Polícia Civil também apura a possibilidade de a bebê ser portadora de uma doença rara, que provoca o surgimento de bolhas na pele quando exposta ao calor. “Já houve casos registrados na maternidade de crianças com esse diagnóstico. No entanto, ainda aguardamos o laudo médico do Hospital de Rio Branco para confirmar ou descartar essa hipótese”, explicou o delegado.

Perícia técnica realizada no local constatou que a torneira utilizada para o banho atinge temperatura máxima de até 57 graus Celsius. Porém, segundo o delegado, isso não significa que a água estava necessariamente nesse nível no momento do incidente. As circunstâncias exatas ainda estão sendo apuradas.

Outros relatos apontam que, antes de Aurora, outro bebê também teria tomado banho no mesmo ambiente. Segundo o pai dessa criança, a técnica de enfermagem teria deixado a água descansar por cerca de quatro minutos antes de utilizá-la, e somente após esse período banhou seu filho. Já para Aurora, a água teria saído diretamente da torneira e usado no banho.

Testemunhas relataram ainda que, após o banho de Aurora, a mãe de uma terceira criança alertou sobre a temperatura elevada da água. A técnica, ainda não ouvida pela polícia, teria misturado água fria antes de prosseguir com o terceiro banho.

O delegado Vinícius Almeida informou que o protocolo de segurança para aferição da temperatura da água durante o banho de recém-nascidos inclui a verificação com o dorso da mão ou cotovelo da técnica responsável, além da existência de termômetros específicos, cuja utilização será verificada durante a investigação.

Além dos laudos médicos, a Polícia Civil também aguarda o laudo técnico do Instituto de Criminalística para confirmar as condições no local no momento do ocorrido. “A investigação segue de forma imparcial, rigorosa e com o compromisso de esclarecer todos os fatos, para evitar que situações como essa se repitam”, finalizou o delegado.

Aurora foi transferida para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, referência nacional em tratamento de queimaduras, onde segue recebendo atendimento especializado.

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