Parentes enfrentam dificuldades financeiras e logísticas para visitar detentas presas em Tarauacá após interdição de presídio em Cruzeiro do Sul

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Famílias de detentas de Cruzeiro do Sul vivem um complicação com a transferência das presas para o Presídio Moacir Prado, em Tarauacá, distante cerca de 230 km da segunda maior cidade do Acre. O alto custo das passagens de ônibus – em torno de R$ 75 cada trecho – aliado à necessidade de levar itens de higiene pessoal e comida caseira, torna as visitas um sacrifício financeiro quase inviável para muitas mães de baixa renda.

Luciene do Carmo Queiroz, ambulante que vende trufas de chocolate – sua principal fonte de renda além do Bolsa Família –, relata as dificuldades para visitar a filha, presa há cerca de dois meses. “O transporte é muito difícil pra gente chegar lá porque a gente não tem o dinheiro suficiente pra ir e vir. Tem que pagar passagem ida e volta, levar material de higiene, às vezes comida caseira, e muitas das vezes a gente não tem dinheiro suficiente. Se ela estiver aqui, pra mim seria melhor”, desabafa Luciene.

Ela conta que, para custear as viagens, pega dinheiro a juros para comprar ingredientes e produzir bombons, trabalhando semanas para juntar o necessário. Na chegada a Tarauacá, já dormiu na rodoviária e, mais recentemente, na casa de uma conhecida próxima ao presídio, pois os ônibus chegam de madrugada. “Nós mães temos que dar o nosso apoio para o nosso filho, porque se eles já estão passando por essa dificuldade, se a gente for desprezar, seria muito mais difícil”, afirma.

A filha de Luciene passou seis dias na Delegacia Geral de Cruzeiro do Sul antes da transferência, no final de outubro. É a primeira prisão dela, e a mãe espera que seja a última. Luciene pede que a Justiça permita o retorno das detentas à cidade e expressa desejo de que a filha cumpra pena em uma clínica de recuperação local, da qual é conselheira.

A transferência ocorreu após a Justiça decretar a interdição total da Unidade Penitenciária Feminina de Cruzeiro do Sul, em setembro de 2025, devido a graves problemas estruturais que representavam risco à vida de internas e servidores. Das 17 detentas na época, 10 foram liberadas com tornozeleira eletrônica e sete transferidas para o presídio Moacir Prado, em Tarauacá. As transferências e liberações foram confirmadas pelo Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC), que informou cumprir decisão judicial. “A decisão vem do judiciário. O Iapen apenas cumpre”, afirmou o órgão.

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