A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante das canetas Ozempic e Wegovy, suspendeu temporariamente a plataforma de vendas diretas de seus medicamentos após reação negativa de grandes redes de farmácias. A medida fazia parte da estratégia da empresa para recuperar espaço no mercado brasileiro de medicamentos à base de GLP-1, atualmente liderado pelo Mounjaro, da Eli Lilly.
A plataforma NovoCare Farmácia permitia a compra das canetas sem a necessidade de comercialização direta pelas farmácias. No entanto, a iniciativa foi criticada pela Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), que apontou possíveis irregularidades em relação às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Segundo a entidade, a venda de medicamentos deve seguir regras específicas, incluindo a atuação de farmácias devidamente habilitadas e a presença de farmacêuticos responsáveis. Após a repercussão, a Novo Nordisk informou que suspendeu a operação para avaliar os resultados do projeto piloto e desenvolver um modelo mais integrado ao varejo farmacêutico.
A disputa pelo mercado de canetas emagrecedoras se intensificou após a chegada do Mounjaro ao Brasil. Dados da consultoria Close-Up International Brasil apontam que o medicamento da Eli Lilly alcançou R$ 8,5 bilhões em vendas nos últimos 12 meses, representando 64% do mercado nacional de GLP-1. No mesmo período, o Wegovy registrou R$ 3,7 bilhões em vendas e o Ozempic, R$ 1,1 bilhão.
Outra frente da Novo Nordisk é a tentativa de incluir o Wegovy no Sistema Único de Saúde (SUS). A empresa reapresentou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um pedido para disponibilizar o medicamento a pacientes com obesidade e histórico de doenças cardiovasculares.
O pedido anterior havia sido rejeitado devido ao alto impacto financeiro estimado para os cofres públicos. Agora, a farmacêutica afirma ter apresentado uma proposta com redução de 59% no preço do medicamento e foco em pacientes com maior risco de novos eventos cardiovasculares.
De acordo com o Ministério da Saúde, a solicitação foi protocolada em maio deste ano e poderá levar até 270 dias para ser analisada, considerando possíveis prorrogações do prazo. A decisão final sobre a incorporação do medicamento ao SUS pode ocorrer apenas em 2027.
Com informações do NeoFeed.






