Desde que assumiu o Governo do Acre, em abril de 2026, Mailza Assis passou a enfrentar críticas relacionadas às mudanças promovidas na estrutura funcional do Palácio Rio Branco. Exonerações e substituições em cargos estratégicos provocaram questionamentos sobre as escolhas da atual gestora, que também é candidata à reeleição.
Diante das críticas, surge uma questão: até que ponto um governante deve ter autonomia para montar uma equipe de acordo com seu próprio perfil e projeto de gestão? Ao assumir o comando do Executivo, Mailza passou a conduzir uma administração com prioridades e métodos próprios. Nesse contexto, mudanças no quadro de secretários e gestores podem ser interpretadas como parte do processo de reorganização de uma administração.
Entre os casos que geraram repercussão está a saída da então secretária de Estado de Justiça e Segurança Pública, Márdhia El-Shawwa, delegada da Polícia Civil. Críticos associaram a exoneração a uma suposta postura machista do governo. O argumento contrário a essa interpretação é que a substituição não resultou na escolha de um homem para o cargo, mas de outra mulher. A exoneração, por si só, não permite concluir que a decisão tenha ocorrido por razão de gênero; seria necessário conhecer os critérios administrativos que motivaram a mudança.
Outro caso citado é o de Sula Ximenes, que deixou o Departamento de Estradas de Rodagem do Acre (DERACRE). Segundo a versão apresentada no debate, a saída ocorreu por uma decisão relacionada a um novo caminho profissional, e não por uma exoneração determinada pela governadora. Nesse caso, portanto, a responsabilidade direta de Mailza pela saída dependeria das circunstâncias formais que levaram à mudança.
Também houve a exoneração de Jonathan Donadoni, um homem que ocupava função na estrutura do governo. A saída é utilizada como contraponto às críticas de que as mudanças promovidas pela atual gestão estariam relacionadas exclusivamente ao gênero dos ocupantes dos cargos.
Mudanças em equipes de governo são comuns quando há alteração no comando político ou na orientação administrativa de uma gestão. A escolha de pessoas consideradas alinhadas às prioridades do governante faz parte da composição de uma equipe de confiança. Ao mesmo tempo, é natural que substituições provoquem reações entre aliados, servidores e grupos ligados aos ocupantes dos cargos.
O debate, portanto, ultrapassa a questão de gênero e envolve também os critérios utilizados por uma governante para formar sua equipe. Críticas à administração podem ser feitas e precisam ser consideradas no debate público, assim como as justificativas apresentadas pelo governo para cada mudança.
No caso de Mailza, a discussão ganhou uma dimensão política adicional por ocorrer durante o ano eleitoral. Enquanto seus críticos questionam determinadas decisões e atribuem a elas diferentes interpretações, seus defensores sustentam que a governadora precisa ter liberdade para conduzir a administração de acordo com suas próprias prioridades.
A discussão sobre as mudanças na estrutura do governo, portanto, deve considerar os fatos específicos de cada exoneração ou saída, as justificativas apresentadas e os critérios administrativos adotados, evitando que casos distintos sejam tratados como se tivessem necessariamente a mesma motivação.





