Moradores relatam dificuldades em ramais de Cruzeiro do Sul e cobram melhorias durante o inverno amazônico

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Moradores de áreas rurais de Cruzeiro do Sul voltaram a relatar dificuldades de acesso em ramais da região, especialmente com a intensificação do período chuvoso. Estradas de barro, atoleiros e trechos escorregadios têm dificultado a locomoção de famílias, o transporte de produtos e até o atendimento em situações de emergência.

Com décadas de vivência na zona rural, João de Lima Sena conta que as condições atuais têm impactado diretamente o dia a dia de quem depende dos ramais para sobreviver.
“Quando chove, é um sacrifício. A gente tem dificuldade pra buscar ração, levar a produção pra vender, até pra ir à feira. Às vezes só dá pra trazer uma saca de cada vez na moto, porque não tem como carregar mais”, relatou.

Segundo ele, este ano foi atípico, já que tradicionalmente os serviços de melhoria costumavam ser feitos durante o verão. “Sempre teve algum trabalho antes do inverno chegar. Em 2025, não aconteceu, e agora estamos pagando o preço. Quando chove, o problema volta tudo de novo, mesmo com os moradores tentando ajeitar por conta própria”, afirmou.

A precariedade também afeta quem utiliza os ramais diariamente para trabalhar. Fábio Andriola, que frequenta a região todos os dias para cuidar de animais, relatou situações extremas.
“Teve dia que nem com seis homens empurrando conseguimos tirar um carro. Só saiu usando a força de um boi. Se não fosse isso, o veículo teria ficado preso”, contou.

Ele destaca a preocupação com possíveis emergências. “Se alguém passar mal, fica complicado. Nem sempre uma caminhonete consegue passar. Tem muitas famílias que precisam se deslocar todos os dias, e quando chove a situação piora muito”, disse.

Outra moradora, Mariazinha, conhecida por sua atuação comunitária ao longo dos anos, criticou o que chama de abandono recente.
“Durante o tempo em que estive à frente da associação, a gente corria atrás e nunca chegou a esse ponto. Hoje tem atoleiro, idosos morando aqui, e em dias de chuva não entra polícia, não entra SAMU”, desabafou.

Ela afirma que, em situações mais graves, a única alternativa é sair a pé ou com ajuda de animais. “Quando chove de verdade, ninguém sai. Se alguém adoecer, tem que ser retirado na rede. Isso não é digno. Ramal não é só estrada, é o direito das pessoas de ir e vir”, afirmou.

Mariazinha também fez um apelo para que a gestão municipal olhe com mais atenção para todas as comunidades rurais. “Não é só um ramal, são muitos. Quem mora em ramal sabe o sofrimento. A gente só quer respeito e um trabalho bem feito”, completou.

Procurado pela reportagem, o secretário municipal de Obras e Limpeza Pública, Carlos Alves, explicou que o município enfrentou dificuldades no planejamento deste ano devido ao curto período de estiagem.
“Tivemos um verão muito reduzido, de cerca de dois meses, o que impossibilitou atender todos os locais. Ainda assim, conseguimos realizar serviços na maioria das estradas de barro da área urbana”, explicou.

Segundo o secretário, com a chegada do inverno amazônico, os trabalhos ficam ainda mais limitados. “Estrada de barro molhada não suporta máquina pesada. Em muitos casos, tentar intervir agora pode piorar a situação. Infelizmente, algumas áreas terão que aguardar a diminuição das chuvas para receber melhorias”, concluiu.

Enquanto isso, moradores seguem improvisando e se ajudando como podem, aguardando soluções que garantam melhores condições de acesso e mais segurança durante o período chuvoso.

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