Leclerc e Hamilton divergem após incidente em Monza, e Ferrari cogita ordens de equipe

A relação entre Lewis Hamilton e Charles Leclerc na Ferrari ganhou mais um capítulo de tensão neste domingo (6), durante o GP da Itália de Fórmula 1, em Monza. Os dois pilotos se envolveram em uma disputa logo nos primeiros metros da corrida, e o episódio provocou declarações divergentes após a prova.

Leclerc fechou Hamilton durante a disputa pelo terceiro lugar na largada. Sem espaço para permanecer na pista, o heptacampeão precisou desviar para a brita e perdeu posições, caindo do quarto para o décimo lugar. Oliver Bearman também conseguiu ultrapassá-lo, mas Hamilton recuperou a posição posteriormente.

O incidente chegou a ser analisado pelos comissários, mas não resultou em punições. Leclerc, porém, abandonou a corrida na volta seguinte, após bater na curva Parabolica.

Leclerc admite excesso na disputa

Depois da corrida, Leclerc tentou minimizar a ideia de que exista uma crise entre os dois companheiros de equipe, mas reconheceu que a disputa em Monza passou dos limites.

“Sinceramente, não sei quem está promovendo essa narrativa de que estamos uns contra os outros. Em Zandvoort já se falou demais sobre isso. Aqui, porém, é verdade que fomos longe demais na Curva 1. Na curva 2 tentei fazê-la o mais fechada possível, mas simplesmente não foi suficiente, e isso aqui não é bom”, afirmou o piloto monegasco.

Durante a corrida, Hamilton demonstrou irritação pelo rádio da Ferrari.

“Charles me empurrou!”, reclamou o britânico.

Hamilton rejeita responsabilidade conjunta

Hamilton, no entanto, não concordou com a avaliação de Leclerc e rejeitou a ideia de que os dois tenham sido igualmente responsáveis pelo incidente.

“Eu estava na frente na Curva 2; no meio da curva, eu estava na frente. Não teve nada de ‘nós’ nisso. Depois, vamos conversar sobre isso em particular”, afirmou o heptacampeão mundial.

O episódio aumentou a atenção sobre a dinâmica entre os dois pilotos da Ferrari, especialmente depois de outro momento de tensão ocorrido duas semanas antes, no GP da Holanda.

Hamilton já havia reclamado da Ferrari

Em Zandvoort, Hamilton criticou publicamente a estratégia adotada pela Ferrari durante a corrida. O britânico reclamou por ter permanecido atrás de Leclerc, apesar de considerar que estava com pneus melhores e tinha mais ritmo.

Posteriormente, Hamilton se retratou pelas críticas feitas publicamente à equipe.

Na ocasião, porém, o piloto deixou clara sua insatisfação com a forma como a Ferrari administrava as disputas e estratégias em comparação com a Mercedes.

“Eu quero ganhar. Estou aqui para ganhar. É difícil quando você olha à frente e vê os pilotos da Mercedes, eles recebem a mensagem (pelo rádio) e está feito, eles executam logo em seguida. Deixaram o Kimi passar e conseguiram continuar com a corrida deles. Eu estava em uma estratégia diferente, e não é a mesma coisa aqui. É uma coisa um pouco difícil, mas temos que lidar com isso e quando voltar, falarei com a equipe sobre isso”, disse Hamilton na ocasião.

Ferrari admite possibilidade de ordens de equipe

O chefe da Ferrari, Frédéric Vasseur, também demonstrou insatisfação com o episódio de Monza. Segundo o dirigente, o resultado da disputa entre os dois pilotos não foi positivo para a equipe.

“Conversei com o Lewis por dois segundos, mas não falei nada com Charles. Teremos tempo para discutir isso; prefiro conversar primeiro com eles e não com você. Mas, com certeza, o resultado dessa disputa não é bom para a equipe, se é essa a pergunta”, declarou Vasseur.

O francês também admitiu que a Ferrari poderá avaliar a adoção de ordens de equipe caso os confrontos entre Hamilton e Leclerc continuem prejudicando o desempenho da escuderia.

“Para ver se precisamos de ordens de equipe ou algo do tipo, eu comparo com o ano passado: Piastri estava liderando a McLaren neste mesmo momento da temporada, mas se a McLaren tivesse apostado tudo em Piastri, Max Verstappen teria sido campeão. Com certeza, em algum momento é preciso tomar uma decisão, mas era muito cedo para tomar uma decisão antes de Monza. Agora terei tempo para conversar com os rapazes”, afirmou.

Vasseur ressaltou que, no início da temporada, a intenção da equipe era permitir que os dois pilotos competissem livremente, mas reconheceu que essa estratégia pode precisar ser revista.

“Para uma equipe, nunca é bom perder pontos. No início da temporada, acho que todo chefe de equipe do mundo adoraria deixá-los correr. Congelar as posições quando você é o chefe de equipe, não imagine que seja uma escolha fácil. Você faz isso pela equipe, faz pelos resultados finais, mas nunca é uma decisão fácil. Por definição, eu adoraria deixá-los correr o fim de semana inteiro. Agora, por uma questão de lógica, em algum momento é preciso tomar uma decisão. Cada equipe é diferente. Teremos que tomar uma decisão quando for a hora certa”, completou.

Hamilton termina em sexto; Leclerc abandona

Hamilton conseguiu se recuperar depois do incidente da largada e terminou o GP da Itália na sexta colocação. Nas voltas finais, ele perdeu a disputa para Oscar Piastri e ainda teve dificuldades para manter o mesmo ritmo até a bandeirada.

Leclerc, por outro lado, não completou a prova. O monegasco bateu na Parabolica na terceira volta e abandonou a corrida.

Apesar do forte impacto, Leclerc passa bem. O piloto revelou que sofreu com visão turva após a colisão e também sentiu dores. Ele afirmou que deverá realizar exames adicionais nos próximos dias, com o objetivo de avaliar sua recuperação antes do GP da Espanha, marcado para a próxima semana.

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