O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) rejeitou uma série de pedidos apresentados pela defesa do rapper Mauro Nepomuceno, conhecido como Oruam, e determinou o prosseguimento da ação penal em que ele é réu ao lado do pai, Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, e de outros nove investigados.
O processo, que tramita sob sigilo, apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionado ao Comando Vermelho (CV). Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), Oruam teria utilizado a carreira artística para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas e custear despesas pessoais.
A defesa havia solicitado a realização de perícia técnica em dados telemáticos e na cadeia de custódia das provas, além do envio de ofício ao Google para fornecimento de dados de e-mail de um dos réus. Também pediu que a Polícia Judiciária fosse impedida de se manifestar nos autos sem convocação da Justiça ou do Ministério Público.
Ao analisar os pedidos, a Justiça negou todas as solicitações. O entendimento foi de que antecipar discussões sobre a validade das provas antes do momento processual adequado poderia prejudicar o andamento da ação. O juízo também destacou que não foram apresentados elementos concretos que indicassem irregularidades nas provas reunidas durante a investigação.
Sobre o pedido para limitar manifestações da Polícia Judiciária, a decisão ressaltou que prestar esclarecimentos técnicos faz parte das atribuições legais da corporação.
Ao Metrópoles, o advogado de Oruam, Thiago Lemos, afirmou que a decisão é equivocada e sustentou que a principal prova utilizada na ação seria ilícita. Segundo ele, uma perícia já teria apontado essa suposta irregularidade e o resultado deverá ser apresentado à Justiça.
A denúncia foi apresentada pelo MPRJ em janeiro de 2026 e recebida pela Justiça dois meses depois. O Ministério Público sustenta que o grupo atuava de forma organizada para ocultar recursos do tráfico por meio de empresas, imóveis e fazendas. Todos os denunciados respondem ao processo, e a investigação segue em andamento.
Por Metrópoles.





