Justiça determina retirada de famílias de área ocupada no bairro da Várzea, em Cruzeiro do Sul

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Dezenas de famílias que ocupam uma área conhecida como Campo do Abraão, no bairro da Várzea, em Cruzeiro do Sul, receberam na manhã desta terça-feira, 29, uma ordem de despejo emitida pela Justiça. A medida atende a um pedido do proprietário do terreno, que acionou o Judiciário para a reintegração de posse. As construções na área iniciaram há cerca de dois anos, quando moradores sem alternativa de moradia se instalaram no local.

Muitas das famílias vieram de áreas alagadiças e de risco às margens do Rio Juruá. Outras buscavam sair do aluguel ou de regiões rurais distantes. Algumas casas já estão concluídas, com água e energia instaladas; outras seguem em fase de construção. Agora, com a decisão judicial, os moradores têm o prazo de 20 dias para deixar o local voluntariamente. Equipes de apoio serão mobilizadas para ajudar na retirada das residências. Após esse período, a retirada poderá ocorrer com o uso de força policial e maquinário para demolição.

Durante a manhã, oficiais de justiça estiveram no local entregando as notificações, o que gerou comoção entre os moradores. Muitos relataram não ter para onde ir e afirmaram que investiram todos os seus recursos na construção das casas.

Guadalupe Alencar, mãe de cinco filhos, vive há dois anos na área e expressou o desespero diante da possibilidade de perder a casa onde vive com as crianças. Ela contou que deixou uma área alagadiça para buscar segurança e estabilidade. Agora, teme ficar desabrigada. “Não tem como tirar essa casa em 20 dias. Já temos água, energia. Como vamos sair com cinco crianças e sem ter pra onde ir?”, relatou.

Outra situação dramática é a de Manoel Oliveira, ex-morador do Ramal Cinco, que tem um filho com deficiência e vendeu tudo o que possuía para comprar uma casa no local. Ele afirma ter gasto mais de R$ 30 mil na aquisição do imóvel, acreditando que estava fazendo um negócio legítimo. Agora, se vê ameaçado de perder tudo. “Muita gente aqui investiu o pouco que tinha para fugir do aluguel. Não é justo sermos despejados sem alternativa”, disse.

Os moradores cobram posicionamento das autoridades municipais e estaduais. Uma reunião com representantes da prefeitura chegou a ser solicitada, mas até o momento não houve resposta concreta. A comunidade pede que a situação seja revista e que seja apresentada uma solução habitacional para as famílias, muitas das quais incluem crianças, idosos e pessoas com deficiência.

A equipe de reportagem acompanha de perto os desdobramentos da situação, que expõe o drama habitacional enfrentado por centenas de pessoas em Cruzeiro do Sul.

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