Londres (AP) – A Corte de Apelação do Reino Unido decidiu nesta segunda-feira (15) que o governo britânico agiu legalmente ao classificar o grupo Palestine Action como organização terrorista, mantendo a proibição que equipara o movimento a grupos como Al-Qaeda e Hamas.
A decisão foi anunciada pela presidente da Corte, Sue Carr, que afirmou que o Palestine Action não poderia ser considerado apenas um grupo de desobediência civil, como alegavam seus integrantes. Segundo a magistrada, a organização atuava por meio de células secretas com o objetivo de destruir propriedades ligadas à indústria de defesa e instalações militares.
“Não era sustentável retratar o Palestine Action como uma organização não violenta”, declarou Carr ao justificar o entendimento do tribunal.
A sentença reverte uma decisão da Alta Corte emitida em fevereiro, quando juízes haviam concluído que, apesar de o grupo utilizar algumas práticas criminosas para promover sua causa política, a dimensão das ações não justificava sua proibição.
O governo britânico decidiu banir o movimento após ativistas invadirem uma base da Força Aérea Real (RAF) em junho de 2025, em protesto contra o apoio militar do Reino Unido a Israel durante a guerra em Gaza. O episódio ocorreu após uma série de outras ações de vandalismo atribuídas ao grupo.
Com a manutenção da medida, participar ou apoiar o Palestine Action continua sendo crime no Reino Unido, com penas que podem chegar a 14 anos de prisão.
A cofundadora do movimento, Huda Ammori, afirmou que o grupo recorrerá à Suprema Corte do Reino Unido e, se necessário, à Corte Europeia de Direitos Humanos, classificando a proibição como um dos maiores ataques à liberdade de expressão e ao direito de protesto na história recente do país.
Desde a entrada em vigor da proibição, mais de 3.300 pessoas foram presas durante manifestações em apoio ao grupo. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, mais de 700 manifestantes foram denunciados com base na Lei Antiterrorismo, embora ainda não haja condenações relacionadas apenas ao apoio público ao movimento.
Organizações de direitos civis criticaram a decisão judicial. O grupo Defend Our Juries afirmou que a medida poderá resultar no aumento das prisões de manifestantes pacíficos e acusou as autoridades de restringirem o direito ao protesto.
Fundado em 2020, o Palestine Action realizou diversas ações diretas contra instalações militares e industriais no Reino Unido, incluindo invasões a unidades da fabricante israelense de armamentos Elbit Systems UK. Autoridades britânicas afirmam que os atos provocaram prejuízos de milhões de libras e afetaram a segurança nacional.
Na última sexta-feira (12), quatro integrantes do grupo foram condenados à prisão após invadirem uma fábrica da Elbit em Bristol, em 2024, e destruírem equipamentos. Após a sentença, mais de 100 manifestantes ligados ao Palestine Action foram detidos em frente ao tribunal em Londres.






