Juruá vira centro de debate nacional sobre saúde e intensifica combate a doenças como malária, dengue e tuberculose

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A região do Juruá ganhou destaque ao sediar nesta segunda (23) e terça (24), em Cruzeiro do Sul, um seminário estratégico sobre a implementação da Política Nacional de Vigilância em Saúde. O encontro, realizado no auditório do Senac, reuniu profissionais e gestores das esferas federal, estadual e municipal, com foco na integração das ações de saúde no território.

A proposta do evento foi discutir como tornar mais eficiente a atuação da vigilância em saúde, que engloba desde vacinação até o controle de doenças como malária, dengue, tuberculose e hanseníase — problemas ainda presentes na região Norte.

Segundo o professor e consultor do Ministério da Saúde, Luiz Augusto Facchini, o grande desafio é fazer com que todas as áreas atuem de forma conjunta.

“Estamos trabalhando a implementação da Política Nacional de Vigilância em Saúde e a capacidade de articular ações entre as vigilâncias epidemiológica, sanitária, ambiental e de saúde do trabalhador, junto com a atenção primária, especialmente a saúde da família”, explicou.

Facchini destacou ainda que o trabalho integrado tem impacto direto no enfrentamento de diversas doenças. “Esse esforço não atua apenas na malária, mas também fortalece o combate às arboviroses, como a dengue, que tem presença significativa na região”, afirmou.

O diretor do Departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde, Guilherme Loureiro Verneck, reforçou que a política existe desde 2018, mas ainda enfrenta desafios para ser aplicada de forma completa.

“A vigilância em saúde é tudo aquilo que envolve prevenção e controle de doenças — vacinação, monitoramento, combate à dengue, tuberculose, hanseníase. Nosso objetivo aqui é ouvir quem está no território, entender as dificuldades e melhorar a implementação dessas ações”, destacou.

Ele também ressaltou a importância da integração entre os setores. “Muitas vezes, as vigilâncias atuam de forma separada. Quando trabalhamos de forma integrada com a atenção primária, conseguimos resultados muito mais efetivos na proteção da população”, completou.

Para os municípios, especialmente os mais isolados, a troca de experiências é essencial. O secretário de saúde de Marechal Thaumaturgo, Maricelso Firmino, destacou os desafios enfrentados no dia a dia.

“Para um município de difícil acesso como o nosso, participar de uma capacitação com o Ministério da Saúde é fundamental. Precisamos levar esse conhecimento para a prática e enfrentar doenças que ainda são realidade na nossa região”, afirmou.

Ele também chamou atenção para as dificuldades logísticas. “Tem comunidades que ficam a mais de oito horas de distância, com acesso apenas por rio ou até por aeronave. Isso torna o trabalho mais desafiador, mas estamos aqui justamente para buscar soluções”, disse.

O seminário reforça o papel estratégico do Juruá no fortalecimento das políticas públicas de saúde, evidenciando que a integração entre os serviços é o caminho para avançar no controle de doenças e na melhoria da qualidade de vida da população.

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