Um tribunal de Israel prorrogou por mais seis dias a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila, preso junto com o espanhol Saif Abu Keshek, após serem interceptados em uma flotilha com destino à Faixa de Gaza em águas internacionais próximas à Grécia. A prisão preventiva, inicialmente válida até 5 de maio, foi estendida até 10 de maio pelo Tribunal de Magistrados de Ashkelon.
Os ativistas participavam da segunda Flotilha Global Sumud, lançada em 12 de abril a partir de Barcelona, que buscava levar ajuda humanitária a Gaza e romper o bloqueio israelense. Mais de 100 outros ativistas a bordo foram levados para a ilha grega de Creta.
Israel acusa Ávila e Abu Keshek de crimes como auxílio ao inimigo, contato com agente estrangeiro e organizações terroristas, fornecimento de meios a grupos terroristas e atividades proibidas envolvendo componentes terroristas. O juiz Yaniv Ben-Haroush afirmou que havia “suspeita razoável” para a prorrogação da detenção.
A defesa, representada pelo grupo de direitos humanos Adalah, contestou as acusações, alegando falta de base legal e que os detidos permanecem sob custódia apenas para interrogatórios. Os advogados anunciaram recurso exigindo a libertação imediata e incondicional dos dois ativistas.
Thiago Ávila está em greve de fome desde a detenção, de acordo com sua esposa, Lara Souza, e tem sido monitorado por médicos do Serviço Penitenciário de Israel. Abu Keshek também está em greve de fome, segundo a esposa, Sally Issa, e ambos negam as acusações de tortura feitas por Israel.
O Ministério das Relações Exteriores da Espanha pediu a libertação imediata de ambos, afirmando que não há provas que os vinculem ao Hamas e que Israel não possui jurisdição em águas internacionais. Israel, por sua vez, mantém que todas as ações tomadas durante a interceptação estavam de acordo com a lei.






