Um ataque de mísseis do Irã contra uma base militar na ilha Diego Garcia, no Oceano Índico, acendeu um alerta na Europa.
A razão: a instalação fica a cerca de 4.000 km do território iraniano, ao sul do Oriente Médio. É uma demonstração de que Teerã tem poder para atingir alvos mais distantes, incluindo grandes cidades europeias.
A base de Diego Garcia é compartilhada entre EUA e Reino Unido e fica entre a África e a Indonésia. O local foi atacado por dois mísseis balísticos iranianos na noite de sexta-feira (20).
Não houve danos porque um dos projéteis falhou durante o voo e o outro foi abatido pela defesa dos EUA. A imprensa americana revelou o ataque, que foi confirmado pelo Reino Unido e pela agência de notícias iraniana Mehr.
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Ataque de mísseis iranianos contra base militar no Oceano Índico e gera alerta na Europa — Foto: Arte g1
A Mehr afirmou que atacar a base militar foi um “passo significativo que demonstra que o alcance dos mísseis do Irã vai além do que o inimigo imaginava anteriormente”.
O ataque é um indicativo de que o programa de mísseis do Irã, um dos trunfos do regime dos aiatolás, pode ter capacidades que o mundo não conhece.
Teerã possui um dos arsenais de mísseis mais fortes do Oriente Médio, com projéteis de grande poder de fogo que podem carregar ogivas nucleares, segundo especialistas.
A base de Diego Garcia fica longe do Oriente Médio, onde EUA, Israel e Irã travam uma guerra há mais de três semanas, e o ataque contra a instalação pode ser considerado incomum, porque não fica na região e não desempenha um papel tão importante no conflito quanto as bases norte-americanas em países como Catar e Arábia Saudita.
Um ataque num raio de até 4.000 km poderia atingir locais como:
- Atenas (cerca de 2.000 km)
- Budapeste (2.500 km)
- Viena (2.800 km)
- Roma (3.000 km)
- Berlim (3.000 km)
- Copenhague (3.200 km)
- Estocolmo (3.200 km)
- Oslo (3.600 km)
- Paris (3.800 km)
- Londres (4.000 km)

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Repercussão
O Reino Unido condenou o ataque, que classificou de “ameaças iranianas imprudentes”, segundo a secretária de Relações Exteriores britânica, Yvette Cooper.
O governo britânico, no entanto, considera que atualmente não há nenhuma avaliação de que o Irã consiga fazer um ataque contra a Europa.
“Não há nenhuma avaliação que comprove o que está sendo dito. Não tenho conhecimento de qualquer avaliação de que eles nem sequer estejam tentando atingir a Europa — muito menos que conseguiriam, caso tentassem”, afirmou à BBC o parlamentar britânico Steve Reed.
O ataque à base de Diego Garcia serviu de combustível para a retórica de Israel, porque vai na mesma linha de alertas feitos pelo governo Netanyahu sobre o programa de mísseis do Irã. Tel Aviv sustenta o discurso de que o regime iraniano representa uma “ameaça global”.
“O regime terrorista iraniano representa uma ameaça global. Agora, com mísseis que podem alcançar Londres, Paris ou Berlim. O regime terrorista iraniano realizou ataques contra 12 países da região e está desenvolvendo uma capacidade que representa uma ameaça muito mais ampla”, afirmou o Exército israelense em comunicado no sábado (21).
Israel disse ainda que havia revelado durante a Guerra dos 12 dias, em junho de 2025, que o Irã tinha a intenção de desenvolver mísseis com alcance de 4.000 km, algo que Teerã negou à época. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, pediu neste domingo (22) que mais países se juntem a EUA e Israel.
Por: G1






