Ibama realiza operação “Rios Federais” e apreende mais de 60 malhadeiras na região do Juruá

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O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou mais uma etapa da operação “Rios Federais” na região do Vale do Juruá, no Acre, com foco no enfrentamento à pesca praticada de forma irregular em cursos d’água sob jurisdição federal. A ação resultou na retirada de circulação de dezenas de apetrechos proibidos, especialmente redes do tipo malhadeira e estruturas conhecidas como “mangas”, frequentemente utilizadas em atividades ilegais.

Segundo Arlan Silva, responsável pela Divisão de Proteção Ambiental do órgão no estado, a operação vem sendo desenvolvida de forma contínua, a partir de um mapeamento prévio das áreas consideradas mais vulneráveis. Como muitos rios acreanos têm suas nascentes em território peruano, eles são classificados como federais, o que justifica a atuação direta do Ibama nessas localidades.

A mobilização também atende a uma solicitação do Ministério Público do Estado do Acre, que apontou a necessidade de reforçar a fiscalização no Vale do Juruá. Durante as diligências, as equipes flagraram pescadores utilizando malhadeiras — prática proibida, sobretudo no período de defeso, quando determinadas espécies estão em fase de reprodução.

Ao todo, foram recolhidas aproximadamente 67 malhadeiras e mangas. Em situações nas quais o responsável pela atividade permaneceu no local e se identificou, o material ficou sob sua guarda como fiel depositário. Já nos casos de evasão, os equipamentos foram apreendidos e inutilizados pelos fiscais.

Atualmente, o Acre atravessa o período de defeso, fase em que a legislação restringe a captura de espécies para assegurar a reposição natural dos estoques pesqueiros. Nesse intervalo, é autorizada apenas a pesca de subsistência, com o uso de vara, linha simples e anzol, em quantidade limitada e destinada exclusivamente ao consumo familiar. Pescadores devidamente cadastrados recebem o benefício do seguro-defeso enquanto a atividade comercial permanece suspensa.

A fiscalização abrangeu trechos do Rio Juruá, do Rio Moa e de outros afluentes da região. O levantamento completo sobre o número de autuações ainda está em fase de consolidação. Os envolvidos poderão responder a processo administrativo no âmbito do Ibama e também a ações na esfera criminal, conduzidas pelo Ministério Público.

O órgão ambiental alerta que a pesca predatória ainda representa um desafio na região, inclusive com registros do uso de explosivos — conduta expressamente proibida pela legislação. A meta é ampliar a presença das equipes de fiscalização, proteger a biodiversidade amazônica e garantir que as comunidades ribeirinhas tenham acesso ao pescado de forma sustentável e no período adequado.

Além das medidas punitivas, a operação também busca orientar a população sobre a importância do respeito ao defeso, reforçando que a preservação dos rios é fundamental para a manutenção dos recursos naturais e para a segurança alimentar das famílias que dependem da pesca no Acre.

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