O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou nesta segunda-feira (19) que solicitou a alguns municípios a adoção de toques de recolher parciais após uma onda de protestos violentos registrada no país durante o fim de semana.
Lecornu atribuiu os distúrbios a grupos da extrema esquerda e a criminosos, mas afirmou que o governo não será intimidado pela violência.
As manifestações começaram em setembro, nos subúrbios de Paris, com mobilizações de estudantes do ensino médio contra as más condições das escolas e a falta de professores em bairros populares. Com o passar dos dias, os atos se espalharam para outras cidades, como Lyon, Marselha e Toulouse, incorporando reivindicações contra a desigualdade social, os cortes nos serviços públicos e o aumento do custo de vida.
Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, cerca de 550 mil pessoas participaram das manifestações em todo o país durante o fim de semana. Já a Confederação Geral do Trabalho (CGT) estima que o número tenha chegado a 800 mil manifestantes.
Confrontos e depredações
Embora parte dos protestos tenha ocorrido pacificamente, os atos também foram marcados por confrontos com a polícia, saques a estabelecimentos comerciais e depredação de prédios públicos.
Na cidade de Limoges, um edifício histórico com mais de 140 anos, que abrigava a prefeitura, foi incendiado. A construção havia resistido a duas guerras mundiais.
Até domingo (18), os episódios de violência haviam deixado um manifestante morto e quase 1.800 pessoas detidas, além de centenas de policiais feridos.
No domingo, o presidente francês, Emmanuel Macron, condenou publicamente os atos de violência e questionou o comportamento dos responsáveis pelos episódios registrados no país.
Diante da escalada dos confrontos, o governo busca conter novos distúrbios com medidas de segurança, incluindo a possibilidade de restrições parciais à circulação em determinados municípios.





