Fatores que explicam o avanço expressivo da extrema direita na Alemanha

O forte avanço da Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt não teve como principal fator a pauta migratória, apesar de o partido ser conhecido por sua postura contra refugiados e imigrantes. Levantamentos realizados com eleitores neste domingo (6), data da votação estadual, indicam que outros temas tiveram peso maior na decisão do eleitorado.

De acordo com dados do instituto de pesquisas Infratest Dimap, questões relacionadas à previdência social, à paz no continente europeu e aos rumos da economia foram consideradas mais importantes pelos eleitores do que a imigração.

A pauta migratória, inclusive, não aparece como prioridade nem entre os eleitores da própria AfD. A Saxônia-Anhalt está entre os estados alemães com menor presença de estrangeiros, que representam cerca de 9% da população local. No país inteiro, essa proporção é de aproximadamente 15%.

Mesmo sendo classificada como uma força de extrema direita no estado, a AfD conseguiu superar a União Democrata-Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz e do governador Sven Schulze, em quase todos os principais temas avaliados pelos eleitores.

Um dos principais exemplos está na segurança pública e na política de asilo. Nesses dois assuntos, a confiança dos eleitores na capacidade da AfD de administrar as questões chega a ser aproximadamente o dobro da depositada na CDU.

A vantagem também aparece na economia, área que historicamente representa uma das principais fortalezas dos democratas-cristãos. O resultado indica que a CDU perdeu parte de sua tradicional vantagem justamente em um dos campos nos quais costumava apresentar maior credibilidade.

O cenário reforça a avaliação de que o crescimento da AfD no leste da Alemanha não pode ser explicado apenas pelo discurso contrário à imigração. A insatisfação com os partidos tradicionais, a busca por uma força de oposição e a percepção de perda de desempenho da CDU em temas considerados centrais ajudaram a ampliar o espaço da extrema direita no eleitorado.

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