Redação Juruá Online
Com o início do ano letivo, uma preocupação afeta as famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Cruzeiro do Sul e região. A falta de mediadores nas escolas está privando inúmeras crianças autistas de iniciar seus estudos.
A presença de mediadores é fundamental para garantir o apoio necessário aos estudantes autistas, auxiliando-os em seu desenvolvimento escolar e promovendo uma experiência de aprendizagem inclusiva. No entanto, a escassez desses profissionais tem gerado graves consequências para, principalmente, as mães e os alunos.
Diversas mães de diferentes localidades têm buscado apoio no Ministério Público para representar centenas de famílias que enfrentam a mesma situação. A ausência de mediadores nas escolas é uma das principais queixas, juntamente com problemas relacionados ao transporte.
Maria Priscila, moradora do bairro Aeroporto Velho, compartilhou sua preocupação ao perceber que seu filho, de apenas 3 anos e 7 meses, matriculado na Escola Madre Anselma, não pôde frequentar as aulas devido à falta de um mediador. Ela questiona por que, mesmo após mais de um mês desde o início das matrículas, não foi providenciado o suporte necessário para seu filho. “Eu fui para a reunião escolar e, quando cheguei lá, informaram para eu deixá-lo em casa aguardando a lotação do mediador”, relata. “Teve mais de um mês para eles conseguirem um mediador para o meu filho. Por que não conseguiram neste período? Para que meu filho pudesse participar das aulas, assim como todas as outras crianças, pois assim como as outras crianças têm direitos, meu filho também tem”.
Maria de Lurdes Costa, mãe de um garoto de 8 anos, enfrenta problemas semelhantes na Escola Municipal Rui Barbosa. Ela relata que, após conseguir um assistente educacional para seu filho através de ação no Ministério Público no ano anterior, agora enfrenta a incerteza diante da troca de profissionais. Essas mudanças podem ser especialmente prejudiciais para crianças autistas, que muitas vezes criam laços importantes com seus mediadores.
A situação também afeta mães como Jucinelde Pinho dos Santos, moradora do bairro Floresta, que enfrenta a demora na contratação de um mediador para seu filho matriculado na Escola Jardim São Francisco. “Eu não entendo como essas pessoas não se colocam no lugar das mães e das crianças para poderem ajudar de certa forma”, disse.
Apesar das dificuldades, algumas mães, como Maria Luciana, optam por enviar seus filhos para a escola mesmo na ausência de um mediador. Ela relata ter conversado com a diretora da escola, que prometeu uma solução em até um mês. Consciente dos desafios que seu filho enfrentará, ela considera a educação escolar ainda essencial, apesar das dificuldades.
Além da falta de mediadores, algumas famílias também enfrentam dificuldades com o transporte público, tornando ainda mais desafiador garantir a frequência escolar dos alunos autistas.
Em resposta às crescentes preocupações, a Secretaria Municipal de Educação informou que está finalizando o processo de alocação de mediadores e assistentes educacionais, com previsão de que esses profissionais estejam em sala de aula a partir da próxima segunda-feira, dia 25.
Aderlan Gomes, coordenador interino do núcleo de educação estadual, explica que no ato da matrícula é solicitado que as mães disponibilizem os laudos médicos. Posteriormente, a documentação é encaminhada para a secretaria e, após a análise, é encaminhada para o NAPI. “O parecer sendo favorável, comprovando que realmente há a necessidade da contratação do profissional, a representação da SEM encaminha para a secretaria para que sejam tomadas as providências em relação à contratação dos profissionais”, disse. Em relação ao tempo, o coordenador explica que a aula deve ter iniciado para que o NAPI tenha contato com o aluno. Além disso, o professor precisa fazer um estudo de caso para comprovar a real necessidade, e tudo isso dura em torno de 30 a 60 dias. O coordenador menciona que atualmente existem em média 40 alunos aguardando a contratação. Sobre a permanência dos mediadores para uma mesma criança, o coordenador explica que o contrato é temporário e varia de acordo com o contrato ao qual o mediador se submete.






