O comércio exterior é um dos principais indicadores da competitividade de uma economia regional. No Acre, além de gerar divisas e fortalecer os setores produtivos, as exportações revelam o grau de diversificação da economia e sua capacidade de agregar valor e conquistar novos mercados. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC) para o primeiro semestre de 2026 mostram um cenário favorável: crescimento das exportações, redução das importações e ampliação do superávit comercial, com destaque para o avanço da castanha beneficiada.
A tabela a seguir, mostra que o Acre exportou US$ 62,3 milhões no primeiro semestre de 2026, crescimento de 7,7% em relação ao mesmo período de 2025. As importações caíram 21,1%, somando apenas US$ 1,45 milhão, o que elevou o superávit comercial para US$ 60,9 milhões, alta de 8,6%.
| Acre: Exportações, Importações e Saldo da Balança Comercial – Janeiro a Junho de 2025 e 2026 – Valor US$ FOB | |||||||||
| Mês | 2026 | 2025 | VARIAÇÃO 2026/2025 (%) | ||||||
| EXP | IMP | SALDO | EXP | IMP | SALDO | EXP | IMP | SALDO | |
| junho | 8.188.295 | 136.257 | 8.052.038 | 5.530.180 | 630.342 | 4.899.838 | 48,1 | -78,4 | 64,3 |
| Maio | 13.495.331 | 221.432 | 13.273.899 | 9.087.201 | 512.472 | 8.574.729 | 48,5 | -56,8 | 54,8 |
| Abril | 11.717.461 | 109.450 | 11.608.011 | 16.911.198 | 325.466 | 16.585.732 | -30,7 | -66,4 | -30,0 |
| Março | 11.418.869 | 415.974 | 11.002.895 | 11.191.210 | 93.476 | 11.097.734 | 2,0 | 345,0 | -0,9 |
| Fevereiro | 8.391.372 | 153.340 | 8.238.032 | 6.908.111 | 146.414 | 6.761.697 | 21,5 | 4,7 | 21,8 |
| Janeiro | 9.121.890 | 409.181 | 8.712.709 | 8.252.034 | 125.005 | 8.127.029 | 10,5 | 227,3 | 7,2 |
| Total | 62.333.218 | 1.445.634 | 60.887.584 | 57.879.934 | 1.833.175 | 56.046.759 | 7,7 | -21,1 | 8,6 |
| FONTE: Fonte: Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) – MINDIC | |||||||||
O desempenho foi impulsionado principalmente pelos meses de maio e junho, quando as exportações cresceram cerca de 48% em relação aos mesmos meses de 2025. Embora abril tenha registrado retração, a recuperação no bimestre seguinte compensou integralmente essa queda. Como as importações continuam reduzidas, a evolução da balança comercial acreana permanece fortemente determinada pelo comportamento das exportações.
Castanha beneficiada impulsiona exportações e amplia agregação de valor no Acre
A composição da pauta exportadora do Acre no primeiro semestre de 2026 confirma uma característica marcante da economia estadual, conforme tabela a seguir: a forte concentração em poucos grupos de produtos. Juntos, soja, bovinos e derivados e castanha responderam por praticamente toda a receita das exportações acreanas, mas com desempenhos bastante distintos entre si.
O maior destaque do semestre foi a castanha, cujas exportações alcançaram US$ 15,26 milhões, crescimento de 69,4% em relação ao mesmo período de 2025. Esse resultado consolidou a castanha como um dos principais motores da expansão das vendas externas do Acre, em 2026. Mais importante que o aumento do volume exportado foi a mudança no perfil das exportações. Enquanto a castanha com casca cresceu 58,0%, atingindo US$ 13,02 milhões, a castanha sem casca registrou um crescimento extraordinário de 192,3%, alcançando US$ 2,24 milhões.
Esse desempenho da castanha beneficiada merece atenção especial por representar um avanço na agregação de valor à produção local. Ao exportar a castanha já descascada, limpa e pronta para o consumo industrial ou varejista, o Acre incorpora processamento, gera mais empregos e renda na cadeia produtiva e amplia a receita obtida por tonelada exportada. Além disso, evidencia uma inserção mais qualificada no mercado internacional. Não por acaso, os Estados Unidos consolidaram-se como o principal destino da castanha sem casca, um mercado reconhecido por demandar produtos com maior padrão de qualidade e maior valor agregado. Já a castanha com casca continuou sendo direcionada principalmente aos mercados do Peru e da Bolívia, onde parte do beneficiamento ainda ocorre fora do estado.
| Acre: Exportações por Grupos de Produtos – Janeiro a Junho – 2025 e 2026 – Valor US$ FOB – Mil | |||
| GRUPO DE PRODUTOS | JANEIRO A JUNHO | VARIIAÇÃO (%) 2025/2026 | |
| 2026 | 2025 | ||
| Bovinos e derivados | 19.736,92 | 15.950,99 | 23,7 |
| Castanha | 15.258,60 | 9.004,79 | 69,4 |
| Castanha com casca | 13.017,51 | 8.238,07 | 58,0 |
| Castanha sem casca | 2.241,09 | 766,72 | 192,3 |
| Soja | 18.041,60 | 20.217,90 | -10,8 |
| Suínos e derivados | 6.132,40 | 8.250,51 | -25,7 |
| Madeira e derivados | 1.665,48 | 2.024,02 | -17,7 |
| Milho | 136,31 | 143,89 | -5,3 |
| FONTE: Fonte: Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) – MINDIC | |||
As exportações de bovinos e derivados cresceram 23,7%, consolidando a expansão da pecuária acreana em mercados como Emirados Árabes Unidos, Turquia, Uruguai e Egito. Em sentido oposto, a soja recuou 10,8%, refletindo a menor produção da safra 2024/2025. Também houve queda nas vendas de suínos (-25,7%), madeira (-17,7%) e milho (-5,3%).
Peru e Oriente Médio impulsionam as exportações acreanas
A distribuição dos principais destinos das exportações acreanas no primeiro semestre de 2026 também revela mudanças importantes na inserção internacional da economia do estado. O Peru manteve-se como principal parceiro comercial, absorvendo 30,6% das exportações (US$ 19,3 milhões), impulsionado sobretudo pelas compras de castanha com casca, produto tradicionalmente destinado ao país para posterior beneficiamento, além de carnes e suínos. Em seguida aparecem a Turquia, com participação de 11,9% (US$ 7,5 milhões), e os Emirados Árabes Unidos, com 9,4% (US$ 5,9 milhões), mercados fortemente associados às exportações de carne bovina e de soja, refletindo o crescente espaço conquistado pela pecuária acreana no Oriente Médio. O México consolidou-se como o quarto principal destino, respondendo por 8,0% das vendas externas (US$ 5,1 milhões), praticamente sustentadas pelas exportações de soja, enquanto o Uruguai, com 4,7% (US$ 3,0 milhões), ampliou significativamente sua participação em função do aumento das compras de bovinos e derivados. Em conjunto, esses cinco mercados responderam por cerca de 64,6% de todas as exportações do Acre no primeiro semestre de 2026, evidenciando tanto a elevada concentração geográfica das vendas externas quanto a importância estratégica da castanha, da carne bovina e da soja na pauta exportadora estadual.
O primeiro semestre de 2026 confirma que o Acre continua ampliando sua presença no comércio internacional. Mais importante, porém, é observar que o crescimento foi sustentado justamente pelos produtos que incorporam maior processamento, especialmente a castanha beneficiada. A experiência demonstra que o desenvolvimento do comércio exterior acreano dependerá cada vez menos do aumento da produção de commodities e mais da capacidade de industrializar a matéria-prima, agregar valor, conquistar mercados mais exigentes e gerar emprego e renda no próprio estado.
Orlando Sabino escreve às sextas-feiras no Juruá online



