O governo do presidente Donald Trump tem adotado medidas para acelerar os processos de deportação de crianças migrantes sob custódia dos Estados Unidos, segundo relatos de autoridades e advogados que acompanham os casos.
Uma das principais mudanças é a antecipação das audiências de imigração, que passaram a ocorrer semanas ou até meses antes do previsto. A medida tem dificultado o acesso dessas crianças a benefícios legais, em um sistema já considerado complexo.
Há registros de crianças muito pequenas sendo chamadas repetidamente aos tribunais para prestar informações sobre seus processos, em alguns casos sem assistência jurídica. Especialistas relatam que a situação tem causado forte impacto emocional, com episódios de medo e estresse durante as audiências.
A política faz parte de uma estratégia mais ampla de reforço na fiscalização migratória, voltada especialmente a menores desacompanhados ou que retornaram à custódia do governo após ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
Defensores de direitos humanos e advogados criticam a aceleração dos prazos, argumentando que isso pode levar à deportação de crianças sem que seus casos sejam devidamente analisados. Segundo eles, o tempo reduzido dificulta a construção de defesa e a identificação de possíveis proteções legais, como o status de imigrante juvenil.
Por outro lado, o governo americano afirma que a medida busca agilizar a resolução dos casos, reduzir o tempo de permanência em abrigos e combater redes de tráfico de pessoas. Autoridades também argumentam que o processo mais rápido pode garantir o retorno das crianças a ambientes considerados seguros.
Dados recentes indicam que crianças migrantes permanecem, em média, cerca de sete meses sob custódia federal, período superior ao registrado anteriormente. Em março, mais de 2 mil menores estavam sob responsabilidade do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA.
Especialistas apontam que a combinação de prazos mais curtos, permanência prolongada sob custódia e incertezas sobre o futuro tem aumentado a vulnerabilidade dessas crianças, muitas das quais já enfrentaram situações de violência ou trauma antes de chegar ao país.
Com informações da CNN.






