Um levantamento divulgado na quarta-feira (19) acendeu novo alerta sobre a atuação do crime organizado na Amazônia. O estudo “Cartografias da violência na Amazônia”, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Mãe Crioula (IMC), aponta que os rios acreanos passaram a desempenhar papel central no deslocamento de drogas e armas controlado pelo Comando Vermelho (CV).
A pesquisa, que analisa a dinâmica do crime na região da Amazônia Legal, identifica que diversas rotas fluviais no Acre vêm sendo exploradas pelo grupo criminoso. Entre elas, o destaque é o Rio Juruá, apontado como uma das vias estratégicas para o escoamento de entorpecentes vindos de países vizinhos. O rio, que deságua no Solimões — tradicional rota do narcotráfico — funciona como porta de entrada para substâncias produzidas no Peru e na Colômbia.
Segundo o estudo, o Acre tornou-se ponto-chave para o transporte de cocaína peruana e skunk colombiano, que seguem pelo Vale do Juruá rumo ao Amazonas. A análise destaca ainda que o Comando Vermelho tem ampliado sua presença e influência ao longo das comunidades ribeirinhas, usando a geografia isolada e a dificuldade de fiscalização para consolidar o domínio dessas rotas.
O documento reforça que os desafios de vigilância e a extensão dos cursos d’água dificultam o enfrentamento do tráfico na região, tornando os rios corredores de circulação onde o crime organizado se beneficia da falta de estrutura, da distância entre municípios e da proximidade com fronteiras internacionais.
O levantamento integra uma série de estudos que buscam mapear a violência, a presença de facções e os impactos sociais causados pelo avanço do narcotráfico na Amazônia, apontando a necessidade de políticas integradas de segurança, fiscalização e proteção das comunidades locais.
Com informações : Folha do Juruá






