Estudo avalia impacto de 6 dietas na saúde do cérebro; veja qual se destacou

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Criada há mais de duas décadas para auxiliar no controle da pressão arterial, a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) voltou a ganhar destaque em novos estudos que vão além da saúde cardiovascular.

Uma pesquisa publicada no JAMA Neurology aponta a dieta como aliada na redução do declínio cognitivo. O padrão alimentar, baseado em hortaliças, frutas, grãos integrais, oleaginosas, peixes e laticínios magros, foi associado à melhora de funções como memória e atenção, além de menor risco de demências, incluindo Alzheimer.

O estudo analisou dados de mais de 159 mil pessoas ao longo de 26 anos, com informações de grandes pesquisas como o Nurses’ Health Study e o Health Professionals Follow-up Study (HPFS), compostos por profissionais de saúde.

“Comparamos seis padrões alimentares e a DASH apresentou as associações mais fortes e consistentes”, afirmou o médico epidemiologista Kjetil L. Bjornevik, um dos autores.

A proteção parece mais evidente quando a dieta é seguida entre os 45 e 54 anos, fase considerada de meia-idade pelos pesquisadores.

Segundo o estudo, maior consumo de vegetais e peixes se relaciona a melhores resultados cognitivos. Já o excesso de carnes vermelhas e processadas e o consumo frequente de bebidas açucaradas ao longo dos anos pode aumentar riscos de doenças cerebrais.

As seis dietas analisadas

Além da DASH, o estudo avaliou outros cinco padrões alimentares.

Entre eles está a Dieta da Saúde Planetária, criada a partir do relatório EAT-Lancet, que busca equilibrar saúde humana e sustentabilidade ambiental, com menor consumo de alimentos de origem animal.

Também foram incluídas as dietas plant-based, baseadas em vegetais e alimentos que simulam produtos de origem animal.

Outro modelo analisado foi o Índice Alternativo de Alimentação Saudável (AHEI), que prioriza consumo diário de frutas, verduras, grãos integrais, oleaginosas, peixes e óleos saudáveis como azeite de oliva.

O estudo ainda considerou os índices rEDIH, voltado ao controle da glicemia, e rEDIP, associado a efeitos anti-inflamatórios.

Embora a DASH tenha apresentado os melhores resultados, os pesquisadores destacam que todos os padrões analisados mostram efeitos neuroprotetores.

“É um estudo observacional, ou seja, não estabelece causalidade”, explicou o neurologista Diogo Haddad, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Mesmo assim, outras evidências reforçam a relação entre alimentação equilibrada e saúde cerebral. Dietas que protegem o sistema cardiovascular também beneficiam o cérebro ao melhorar circulação e reduzir riscos de AVC.

“Ao ajudar a controlar colesterol, pressão e glicemia, esses padrões favorecem a saúde vascular e cerebral”, afirmou a geriatra Claudia Suemoto, da USP.

Hoje, a prevenção das demências também envolve fatores como combate ao tabagismo, consumo excessivo de álcool, perda auditiva e isolamento social.

Alimentação e proteção do cérebro

Mais importante que nutrientes isolados é o conjunto da alimentação.

Dietas equilibradas ajudam a reduzir inflamações, melhorar a circulação e proteger neurônios contra danos causados por radicais livres.

Alimentos ricos em ômega-3, como salmão, sardinha, chia e linhaça, além de frutas vermelhas ricas em polifenóis, são associados à ação anti-inflamatória.

Fibras presentes em grãos integrais, frutas e leguminosas também contribuem para a saúde intestinal, fator ligado ao funcionamento do cérebro.

Outro nutriente citado é a colina, presente na gema do ovo, importante para a produção de neurotransmissores ligados à memória e aprendizado.

Embora não tenha sido avaliada no estudo, a dieta MIND também é frequentemente associada à proteção cognitiva por combinar elementos da DASH e da dieta mediterrânea.

Especialistas reforçam que qualquer padrão alimentar saudável deve estar aliado a atividade física, sono adequado e controle do estresse.

Com informações: Estadão

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