Há 51 anos, votar no Acre era uma experiência muito diferente da atual. Quando o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) foi instalado, em 11 de agosto de 1975, não existiam urna eletrônica, biometria, aplicativos de celular ou QR Code nos boletins de urna. A apuração dependia de papel, tempo e uma grande estrutura humana.
Mais de cinco décadas depois, muita coisa mudou. A instituição passou a contar com ferramentas digitais e tecnologias que aproximaram o eleitor dos serviços eleitorais e facilitaram a fiscalização dos resultados.
O que permanece é a missão de organizar as eleições e garantir que a escolha do eleitor seja registrada e respeitada.
O primeiro presidente do TRE-AC foi o desembargador Carlos Alves Cravo. Desde então, o crescimento populacional e eleitoral do estado exigiu a ampliação da estrutura da Justiça Eleitoral, especialmente diante das grandes distâncias e das comunidades de difícil acesso existentes no território acreano.
Mais de seis vezes o número de eleitores
Os números mostram a dimensão dessa transformação.
Em 1978, três anos após a instalação do Tribunal, o Acre tinha sete zonas eleitorais e 92.795 eleitores. Atualmente, são 614.631 eleitoras e eleitores, número mais de 6,6 vezes superior ao registrado naquele período.
A estrutura das zonas eleitorais também foi ampliada ao longo dos anos. A 8ª Zona Eleitoral foi criada em 1988. Em 1997, surgiram a 9ª e a 10ª zonas.
Atualmente, o estado possui nove zonas eleitorais. Em Rio Branco, o Fórum Eleitoral reúne a 1ª e a 9ª zonas, enquanto cartórios e postos de atendimento levam os serviços da Justiça Eleitoral aos demais municípios.
Antes do TRE-AC, eleições eram organizadas de fora do estado
A própria história eleitoral do Acre começou antes da criação do Tribunal Regional.
A Justiça Eleitoral brasileira foi criada em 24 de fevereiro de 1932, extinta durante o Estado Novo, em 1937, e restabelecida em 28 de maio de 1945.
Antes de possuir um tribunal regional próprio, o Acre tinha suas eleições organizadas pelo Tribunal Eleitoral do Distrito Federal.
Isso ocorreu inclusive em 1962, quando o Acre, recém-transformado em estado, realizou sua primeira eleição para cargos como governador e senador. Na ocasião, juízes vindos do Distrito Federal coordenaram o processo eleitoral.
A instalação do TRE-AC, 13 anos depois, representou uma etapa importante na consolidação institucional do estado.
No estado, organizar uma eleição envolve desafios que vão muito além da preparação das urnas.
Mesários, equipamentos e materiais precisam chegar a comunidades localizadas em regiões acessíveis por rios, ramais e longos deslocamentos terrestres.
Para o eleitor, o momento diante da urna pode durar apenas alguns minutos. Para a Justiça Eleitoral, porém, a preparação começa meses antes.
Nesse cenário, a tecnologia passou a ser uma importante aliada para enfrentar as dificuldades impostas pela geografia acreana.
Da urna de madeira à votação eletrônica
As primeiras urnas utilizadas pela Justiça Eleitoral eram de madeira e posteriormente foram substituídas por modelos de lona. Com o passar do tempo, chegaram os computadores, os sistemas informatizados e, finalmente, a urna eletrônica.
Em 1998, Rio Branco passou a utilizar a votação eletrônica. A mudança reduziu significativamente o tempo necessário para a apuração: o processo que antes dependia de contagem manual passou a produzir resultados poucas horas após o encerramento da votação.
Em 2026, a urna eletrônica completa 30 anos de utilização no país.
Nas eleições municipais de 2024, mais de 155 milhões de brasileiros estavam aptos a votar. No Acre, o eleitorado ultrapassava 612 mil pessoas.
Mas a participação do estado nessa transformação não se limitou ao uso de tecnologias desenvolvidas em outras regiões.
Tecnologias criadas no Acre chegam a milhões de brasileiros
Uma das ferramentas que nasceram no TRE-AC foi o e-Título.
Em 2017, a então secretária de Tecnologia da Informação do Tribunal, Rosana Magalhães, concebeu uma solução para levar ao celular informações e serviços que antes dependiam do documento físico ou do atendimento presencial.
A iniciativa ganhou a parceria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi ampliada para todo o país.
Atualmente, mais de 60 milhões de brasileiros já baixaram o e-Título. No Acre, são aproximadamente 215 mil usuários.
O aplicativo permite consultar o local de votação, emitir certidões, verificar débitos eleitorais, obter declaração de trabalhos eleitorais e acessar outros serviços.
Outra solução desenvolvida no tribunal acreano foi o Boletim na Mão. A ferramenta permite que o cidadão utilize a câmera do celular ou tablet para ler o QR Code impresso no boletim emitido pela urna e consultar uma cópia digital dos resultados.
A tecnologia amplia a transparência ao permitir que o próprio eleitor confira os dados registrados na seção eleitoral.
Mais recentemente, o TRE-AC desenvolveu o BioZap, ferramenta criada pelo secretário de Tecnologia da Informação do tribunal, Edcley Firmino.
O sistema identifica eleitores que ainda não possuem biometria cadastrada e possibilita o envio de mensagens com orientações para que procurem a Justiça Eleitoral.
As três ferramentas foram desenvolvidas em momentos diferentes, mas seguem uma mesma proposta: utilizar a tecnologia para aproximar o cidadão dos serviços públicos e do processo eleitoral.
Tecnologia muda, compromisso permanece
Para a presidente do TRE-AC, desembargadora Waldirene Cordeiro, a modernização tecnológica não alterou a essência da instituição.
“Ao longo desses 51 anos, a Justiça Eleitoral mudou, evoluiu e se modernizou. Mas há algo que permanece igual desde o primeiro dia: o compromisso de servir às pessoas. E é por isso que continuaremos trabalhando para que cada acreano tenha a certeza de que sua voz importa e que a democracia sempre encontrará um caminho para chegar até ele”, afirma.
O vice-presidente e corregedor regional eleitoral, desembargador Lois Arruda, também destacou a importância dos servidores e magistrados no processo de modernização.
“Durante todo esse período, a Justiça Eleitoral experimentou um processo de modernização extraordinário. Mas, em meio a toda essa mudança tecnológica, há algo que nunca mudou: o compromisso dos seus servidores e magistrados em atender com eficiência e qualidade o eleitor acreano e, assim, permitir que a democracia se aprimore”, ressalta.
Uma história que continua nas próximas eleições
O aniversário de 51 anos do TRE-AC ocorre às vésperas de mais uma eleição geral e permite observar a dimensão das transformações ocorridas desde 1975.
O eleitorado passou de 92.795 pessoas em 1978 para 614.631 atualmente. As antigas urnas de madeira deram lugar a equipamentos eletrônicos. O título eleitoral passou a caber no celular, e os resultados das seções podem ser conferidos por meio de QR Code.
Uma ferramenta desenvolvida no extremo oeste brasileiro também chegou a milhões de pessoas em todo o país.
Por trás dessas tecnologias, entretanto, continua existindo uma estrutura humana responsável por preparar urnas, organizar seções, atender eleitores e percorrer rios, estradas e ramais para garantir que a votação aconteça.
A história iniciada em 11 de agosto de 1975 continua sendo construída a cada eleição, quando toda essa estrutura se mobiliza para transformar decisões individuais de milhares de acreanos em uma escolha coletiva.





