De EUA a Singapura, passageiros de cruzeiro são monitorados após surto de hantavírus

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta quinta-feira que cinco casos confirmados de hantavírus foram identificados entre pessoas ligadas ao navio de cruzeiro MV Hondius, enquanto autoridades de saúde de diversos países correm para rastrear contatos e conter um possível avanço da doença.

A situação ganhou repercussão internacional porque passageiros desembarcaram e seguiram viagem para vários países antes que o surto fosse completamente compreendido, levando especialistas e autoridades a compararem o cenário aos primeiros dias da pandemia de Covid-19.

A operadora Oceanwide Expeditions afirmou que trabalha para identificar todos os passageiros e tripulantes que embarcaram e desembarcaram em diferentes paradas do navio desde 20 de março, diante da preocupação com a disseminação internacional do vírus.

Até o momento, três pessoas morreram desde a saída da embarcação da Argentina no mês passado: um casal holandês e um cidadão alemão.

O primeiro caso suspeito foi o de um holandês de 70 anos, que apresentou febre, dor de cabeça, dor abdominal e diarreia durante a viagem. Ele morreu a bordo no dia 11 de abril, segundo o Departamento de Saúde da África do Sul.

A OMS informou que o surto está ligado à variante Andes do hantavírus, considerada rara, mas potencialmente grave. Em alguns casos, essa cepa pode ser transmitida entre humanos por meio de contato próximo.

Ainda não está claro como ocorreu o surto. No entanto, a OMS trabalha com a hipótese de que o casal holandês tenha sido infectado fora do navio, possivelmente durante um passeio de observação de aves pela Argentina antes do embarque.

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, os primeiros casos passaram pela Argentina, Chile e Uruguai em uma viagem que incluía visitas a áreas onde vivem espécies de ratos conhecidas por transmitir o vírus.

Autoridades de saúde explicaram que o hantavírus possui período de incubação entre uma e seis semanas, o que significa que os sintomas podem surgir muito tempo após a infecção.

A OMS informou que está trabalhando com os países envolvidos para realizar rastreamento internacional de contatos e monitorar pessoas potencialmente expostas, tentando limitar novos casos.

Atualmente, 146 pessoas de 23 países seguem a bordo do MV Hondius sob “medidas rigorosas de precaução”, segundo a Oceanwide Expeditions. O navio deve chegar neste domingo à ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias, na Espanha.

Casos monitorados em vários países

Países da Europa, América do Norte e Ásia já acompanham passageiros que tiveram contato com o navio ou desembarcaram durante a viagem.

Holanda

Três passageiros foram levados para tratamento na Holanda: um britânico, um alemão de 65 anos e um tripulante holandês de 41 anos. Dois deles estão em estado grave. Uma mulher também foi submetida a exames em Amsterdã após possível exposição ao vírus. Segundo a imprensa local, ela trabalha na companhia aérea KLM e teve contato com uma holandesa de 69 anos que morreu na África do Sul.

África do Sul

Um britânico que adoeceu a bordo no dia 27 de abril foi transferido para uma unidade médica privada em Joanesburgo, onde permanece internado em terapia intensiva. A OMS informou que o quadro dele apresenta melhora.

Suíça

Um passageiro que deixou o navio e retornou à Suíça testou positivo para hantavírus e recebe tratamento em Zurique.

Reino Unido

Duas pessoas que desembarcaram na ilha de Santa Helena estão isoladas em casa por precaução. As autoridades britânicas também monitoram outros cidadãos que estiveram no navio.

Estados Unidos

Autoridades americanas acompanham três passageiros que voltaram ao país. Dois moradores da Geórgia e uma pessoa no Arizona seguem sem sintomas. Também há relatos de passageiros retornando aos estados do Texas e Virgínia.

Singapura

Dois homens na faixa dos 60 anos estão em isolamento e realizando testes. Um deles apresentou coriza leve, enquanto o outro permanece sem sintomas.

A OMS destacou que, apesar da expectativa de novos casos, não há evidências de transmissão em larga escala semelhante ao que ocorreu durante a pandemia de Covid-19.

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