Cruzeiro do Sul vai receber mais de R$ 1 milhão do governo federal após sucessivas enchentes do Rio Juruá

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Recursos serão usados em ações emergenciais de Defesa Civil após município enfrentar cinco transbordamentos do rio em menos de quatro meses

O município de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, vai receber mais de R$ 1 milhão do governo federal para ações emergenciais após os impactos provocados pelas sucessivas cheias do Rio Juruá em 2026.

O repasse de R$ 1.020.546,69 foi autorizado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e oficializado por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Os recursos serão destinados à execução de medidas emergenciais de Defesa Civil, incluindo recuperação de áreas atingidas, restabelecimento de serviços essenciais e apoio à população afetada pelas enchentes.

Cidade enfrenta um dos anos mais críticos da última década

Cruzeiro do Sul vive, em 2026, uma sequência histórica de enchentes que provocaram alagamentos em bairros urbanos, comunidades rurais e deixaram milhares de famílias afetadas.

Somente neste ano, o Rio Juruá transbordou cinco vezes em menos de quatro meses, situação considerada atípica até mesmo para uma região acostumada com o período de inverno amazônico.

Segundo a portaria federal, o município terá prazo de 180 dias para executar as ações previstas no plano emergencial cadastrado no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).

O valor será transferido em parcela única, através do mecanismo de Transferência Legal, voltado à recuperação de infraestrutura danificada por desastres naturais.

Recursos devem ajudar na recuperação de serviços essenciais

De acordo com o governo federal, a prioridade é garantir a recuperação de serviços considerados essenciais à população atingida pelas cheias.

Entre as ações previstas estão:

  • recuperação de áreas danificadas;
  • suporte às famílias atingidas;
  • restabelecimento do abastecimento de água;
  • manutenção de estruturas emergenciais;
  • reparos em serviços públicos afetados pelas enchentes.

A prefeitura também deverá cumprir exigências técnicas previstas em decreto federal, incluindo prestação de contas após a execução das ações.

Sequência de cheias agravou situação humanitária

O primeiro grande transbordamento de 2026 foi registrado em 17 de janeiro. Na época, cerca de 1.650 famílias foram atingidas, afetando aproximadamente 6,6 mil pessoas.

Além dos alagamentos, centenas de moradores ficaram sem energia elétrica e sem acesso à água potável.

Dias depois, o rio voltou a subir.

Em 31 de janeiro, o Rio Juruá ultrapassou novamente a cota de transbordo e chegou a 13,49 metros no início de fevereiro, mantendo o município em alerta máximo. Mais de 6 mil moradores foram afetados direta ou indiretamente.

A situação voltou a se agravar em fevereiro, quando o manancial atingiu 13,17 metros e alcançou bairros urbanos e comunidades rurais.

Diante da sequência de enchentes, a prefeitura decretou situação de emergência ainda em janeiro.

Mais de 28 mil pessoas afetadas em abril

O momento mais crítico ocorreu em abril, quando o Rio Juruá atingiu 14,15 metros, uma das maiores marcas registradas nos últimos anos em Cruzeiro do Sul.

Na ocasião, mais de 28 mil pessoas foram afetadas pelas cheias, segundo dados oficiais.

Famílias precisaram deixar suas casas, abrigos públicos foram reativados e diversos bairros ficaram parcialmente isolados.

Quando o nível do rio começou a baixar e moradores iniciavam o retorno para casa, uma nova elevação surpreendeu a cidade.

No dia 26 de abril, o Juruá voltou a transbordar pela quinta vez no ano, forçando novamente a retirada de famílias de áreas de risco e a reabertura de abrigos emergenciais.

Emergência reconhecida pelo governo federal

A gravidade da situação levou o governo do Acre a decretar situação de emergência em seis municípios atingidos pelas cheias dos rios.

A medida foi reconhecida oficialmente pelo governo federal poucos dias depois, permitindo o acesso a recursos emergenciais para ações de assistência e reconstrução.

Agora, com a liberação do novo repasse, Cruzeiro do Sul tenta acelerar a recuperação das áreas afetadas enquanto moradores ainda convivem com os prejuízos deixados por um dos períodos de enchente mais severos dos últimos anos.

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