Pelo menos quatro palestinos e dois israelenses morreram nesta sexta-feira (24) durante um confronto armado na vila de Tal, no norte da Cisjordânia ocupada. O episódio é considerado o mais letal do tipo na região nos últimos meses.
As versões sobre o que aconteceu divergem. Moradores palestinos afirmam que o confronto começou quando residentes tentaram impedir um ataque de colonos israelenses contra casas da comunidade. Testemunhas disseram que soldados israelenses chegaram ao local e abriram fogo.
Já o Exército de Israel informou que militares foram acionados após relatos de um ataque contra israelenses que faziam uma caminhada na área. Segundo a versão oficial, um guarda de segurança teve sua arma tomada por um palestino, que a utilizou para matar um israelense antes de ser morto pelos soldados.
Posteriormente, as Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram também a morte de um soldado de 27 anos durante a operação, sem detalhar as circunstâncias. O Exército não esclareceu quem foi responsável pelas mortes dos outros palestinos.
Operação militar ampliada
Após o incidente, Israel anunciou preparativos para uma grande operação na região e cancelou licenças de militares. Tropas adicionais foram enviadas para a área próxima ao assentamento de Havat Gilad.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que o governo atuará “com força total” contra os responsáveis pelo ataque. Em comunicado conjunto com o ministro da Defesa, Israel Katz, o governo anunciou que pretende demolir a casa do suposto atirador palestino e acelerar a legalização de assentamentos e postos avançados israelenses na Cisjordânia.
Reação palestina
O Ministério das Relações Exteriores da Autoridade Palestina classificou o episódio como um “massacre” e acusou o governo israelense de incentivar a violência de colonos ao garantir proteção e impunidade aos responsáveis por ataques contra palestinos.
Após os confrontos em Tal, também foram registrados novos episódios de violência em vilarejos próximos. Equipes médicas palestinas relataram vários feridos, incluindo uma pessoa atingida por um tiro na cabeça na localidade de Farata.
Escalada da violência
A violência na Cisjordânia aumentou significativamente desde o início da guerra em Gaza, desencadeada pelo ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.
Dados da ONU apontam que, desde então, 1.114 palestinos foram mortos na Cisjordânia, a maioria em ações das forças israelenses, enquanto 41 israelenses, entre civis e agentes de segurança, morreram em ataques palestinos ou durante operações militares na região.
A Cisjordânia abriga cerca de 3,3 milhões de palestinos e aproximadamente 700 mil colonos israelenses distribuídos em centenas de assentamentos, considerados ilegais pelo direito internacional.






