Cheia dos rios coloca municípios do Acre em emergência e mais de 40 mil pessoas já são afetadas

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O avanço das águas nos rios do Acre levou o governo estadual a decretar, neste domingo (5), situação de emergência em seis municípios do interior. A medida ocorre diante do aumento expressivo do nível dos rios, que já impacta diretamente ou indiretamente mais de 40 mil pessoas, especialmente na região do Juruá.

Entraram no decreto de nível II os municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Tarauacá, Feijó e Plácido de Castro — áreas atingidas pelas cheias nas bacias dos rios Envira, Abunã, Purus e Tarauacá. O cenário é classificado como desastre natural de origem hidrológica, provocado pelo alto volume de chuvas registrado nas últimas semanas.

Dados técnicos apontam que, somente no início de abril, algumas regiões acumularam cerca de 280 milímetros de chuva. Com isso, rios importantes já ultrapassaram a cota de transbordamento. Em Cruzeiro do Sul, o Rio Juruá atingiu 14,07 metros, superando o limite de 13 metros. Em Feijó, o nível também passou da cota, chegando a 12,10 metros.

A decisão do decreto foi tomada após reunião entre órgãos estaduais no Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental. A medida amplia a capacidade de resposta do poder público, permitindo ações mais rápidas no atendimento às famílias atingidas.

Segundo o governo, a prioridade é garantir assistência às pessoas afetadas, com apoio humanitário, instalação de abrigos e envio de insumos. A Defesa Civil estadual segue em alerta máximo, monitorando o comportamento dos rios, que continuam apresentando tendência de elevação.

O cenário já inclui famílias desalojadas e desabrigadas, além de prejuízos à mobilidade, infraestrutura urbana e à produção agrícola, principalmente nas comunidades mais vulneráveis do Vale do Juruá.

Equipes do Corpo de Bombeiros e de outros órgãos estão mobilizadas em todo o estado para atender ocorrências e prestar apoio às áreas atingidas. Já a situação em comunidades indígenas segue sob acompanhamento, com maior atenção voltada para regiões de Feijó e Tarauacá.

O decreto tem validade de 180 dias e autoriza a adoção de medidas emergenciais, como uso de propriedades particulares em caso de necessidade, além da realização de despesas imediatas para enfrentamento da crise.

Mesmo com algumas cidades ainda abaixo da cota de transbordamento, o volume de chuvas previsto para os próximos dias mantém o alerta em toda a região. No Juruá, onde os rios já ultrapassaram os limites em diversos pontos, a preocupação é com novas elevações e o aumento do número de famílias atingidas.

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