Cheia do rio causa prejuízos e interrompe rotina de moradores em Cruzeiro do Sul

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A realidade de quem vive em áreas afetadas pelas cheias em Cruzeiro do Sul vai muito além da água invadindo ruas e quintais. A cada inverno amazônico, moradores de comunidades ribeirinhas e bairros mais baixos enfrentam dificuldades que impactam diretamente o trabalho, a mobilidade e até a saúde.

No bairro do Miritizal, região conhecida por sofrer com alagamentos frequentes, a recente vazante do Rio Juruá trouxe um alívio momentâneo. O asfalto voltou a aparecer e o tráfego começou a ser retomado, mas os dias anteriores foram de isolamento.

Morador antigo da área, Edson Carlos, conhecido como “Goiaba”, relata que convive com esse cenário desde a infância.
“Eu moro aqui desde criança. Todo ano a gente passa por essa dificuldade. No fim de semana ninguém conseguia trafegar de veículo. Agora, graças a Deus, a água começou a baixar e já dá pra andar de novo”, contou.

Apesar de a água não ter atingido sua casa, o impacto econômico foi inevitável. O ponto de trabalho, um lava-jato, ficou completamente alagado.
“A água entrou toda no meu lava-jato, aí a gente para os serviços. Fica sem trabalhar. Com a rua alagada não tem movimento, não tem como ganhar dinheiro”, explicou.

A situação é ainda mais difícil para vizinhos que tiveram as casas invadidas pela água. Em muitos casos, famílias seguem com móveis e pertences comprometidos, mesmo após o início da vazante.

Quando o acesso por veículos é interrompido, a alternativa é recorrer a pequenas embarcações.
“Quando alaga, é só de canoa. Todo mundo que mora aqui já sabe que precisa ter um barco. Pra ir comprar alguma coisa, resolver qualquer coisa, só assim”, disse o morador.

Além das dificuldades de locomoção e trabalho, outro problema preocupa: o risco de doenças.
“Tem muito inseto, a água começa a feder, as coisas ficam dentro d’água. O risco é grande, principalmente quando entra nas casas”, alertou.

Mesmo com a recente diminuição do nível do rio, a incerteza ainda faz parte da rotina. Moradores temem uma nova cheia, algo que, segundo eles, não é incomum.
“A gente já viu acontecer várias vezes no mesmo ano. Quando começa a encher de novo lá em cima, a gente já fica preocupado”, afirmou.

Entre prejuízos, adaptação e fé, quem vive nessas áreas segue tentando manter a rotina, mesmo diante de um cenário que se repete ano após ano e exige resistência constante das comunidades afetadas.

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