Cerca de 10 mil estudantes e professores protestam por melhorias na educação na Grécia

Cerca de 10 mil estudantes e professores foram às ruas de Atenas, capital da Grécia, nesta quarta-feira (10), para cobrar mais investimentos públicos na educação, melhores instalações escolares e redução da superlotação nas salas de aula. A mobilização reuniu alunos do ensino fundamental, médio e universitário e faz parte de uma onda de protestos que também ocorre em outros países europeus.

Durante o ato, os manifestantes se concentraram no centro da capital e nas proximidades do Parlamento grego. Entre as principais reivindicações estavam o fortalecimento da educação pública e gratuita, melhores condições de ensino e mais segurança financeira para os estudantes.

Os protestos aumentam a pressão sobre o governo de centro-direita do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, que deverá enfrentar eleições em meados de 2027. A administração é alvo de críticas pelo aumento do custo de vida, pelos baixos salários e pela precarização dos serviços públicos.

Durante a manifestação, os participantes entoaram palavras de ordem em defesa do ensino público. “Da Grécia à França, queremos educação pública e gratuita”, gritavam os manifestantes.

Estudantes relatam incerteza sobre o futuro

Além das dificuldades enfrentadas nas instituições de ensino, os estudantes demonstraram preocupação com a crise habitacional, os altos custos de moradia e a falta de estabilidade profissional.

A universitária Georgia Foukidou, de 21 anos, afirmou que a situação torna o futuro dos jovens incerto.

“Como estudante universitária recém-chegada, sinto que o futuro dos estudantes na Grécia é sombrio. Não há empregos, não há estabilidade. Não sabemos se vamos concluir o curso nos anos previstos ou se seremos expulsos. Há muita incerteza”, declarou.

O estudante Dimitris Daskalakis, de 23 anos, também destacou a mobilização de jovens em outros países europeus e relacionou os protestos às dificuldades enfrentadas pelos universitários gregos.

“Todos nós assistimos em nossos celulares e na televisão aos estudantes da França, da Albânia, da Espanha, basicamente de toda a Europa. Vemos como eles estão lutando pela vida e pelo seu futuro”, afirmou.

Ele acrescentou que os estudantes gregos também enfrentam ameaças de expulsão das universidades, preocupações com a expansão do ensino superior privado e incertezas sobre as perspectivas profissionais.

A professora de ensino médio Vivi Maravelaki, de 45 anos, participou do ato acompanhada do filho de 12 anos e defendeu o direito dos jovens de reivindicar mudanças.

“É claro que apoio as crianças e as encorajo a lutar pelo que desejam, porque sem batalhas não conquistaremos nada”, disse.

Governo anuncia investimentos em moradia estudantil

Antes da manifestação, a ministra da Educação da Grécia, Sofia Zacharaki, afirmou estar atenta às reivindicações dos estudantes. Ela reconheceu que os custos de moradia representam uma pressão crescente sobre as famílias e informou que estão em andamento projetos para ampliar a oferta de residências estudantis e melhorar as instalações educacionais.

Segundo a ministra, os investimentos previstos ultrapassam € 733 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 4,14 bilhões.

Crise econômica ainda afeta os gregos

A Grécia atravessou uma grave crise da dívida entre 2009 e 2018, período em que o país adotou medidas de austeridade, com cortes salariais e redução de gastos públicos, em troca de pacotes de resgate financeiro que somaram cerca de R$ 1,64 trilhão.

Embora os salários tenham passado por reajustes desde então, o poder de compra dos gregos continua entre os mais baixos da União Europeia. A inflação, o custo da moradia e a alta dos combustíveis, agravada pelas consequências da guerra com o Irã, seguem pressionando o orçamento das famílias.

Na França, manifestações populares também vêm mobilizando estudantes e outros setores da sociedade há cerca de um mês, reforçando o cenário de insatisfação em diferentes países europeus.

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