Casos de estupro contra crianças e adolescentes aumentam 36% no Acre em um ano

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O Acre registrou um crescimento preocupante nos casos de estupro e estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes. Entre 2022 e 2023, o número de vítimas de 0 a 19 anos saltou de 361 para 491, o que representa um aumento de 36%, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Unicef.

O avanço coloca o estado entre os que tiveram maior crescimento proporcional na Amazônia Legal. A maioria das vítimas está na faixa de 10 a 14 anos, que somou 265 registros no último ano — mais da metade do total de casos. Também foram contabilizados 33 ocorrências entre crianças de 0 a 4 anos, 91 entre 5 e 9 anos e 102 entre adolescentes de 15 a 19 anos.

Amazônia Legal e Brasil também registram altas

O aumento não foi exclusivo do Acre. Na Amazônia Legal, os casos subiram de 10.766 em 2022 para 12.539 em 2023, uma alta de 16,5%. No Brasil, o crescimento foi semelhante: de 53.906 para 63.430 registros, o que equivale a quase 175 vítimas por dia.

Apesar de números absolutos menores em relação ao cenário nacional, a Amazônia Legal apresenta taxas proporcionais mais elevadas. Em 2023, a taxa de estupros contra crianças e adolescentes de 0 a 19 anos foi de 141,3 por 100 mil habitantes na região, frente a 116,4 por 100 mil no país.

Entre os estados amazônicos, o Pará lidera em registros (4.751), seguido por Mato Grosso (2.069), Maranhão (1.432, apenas nos municípios que integram a região) e Rondônia (1.101). O Acre, embora com população menor, apresentou um dos maiores crescimentos relativos.

Violência começa cada vez mais cedo

Um dado alarmante é o aumento de casos em crianças de até 4 anos. Na Amazônia Legal, foram 1.278 vítimas em 2023, 26% a mais do que no ano anterior. Só no Acre, 33 ocorrências foram registradas nessa faixa etária.

Grande parte das agressões acontece dentro do ambiente familiar, o que dificulta as denúncias e a investigação, já que muitas vezes há proximidade entre vítima e agressor.

Em todo o Brasil, a faixa dos 10 a 14 anos concentra a maior parte das ocorrências, com 30.695 registros em 2023. A maioria absoluta das vítimas é do sexo feminino.

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