
Redação Juruá Online
Novos detalhes sobre o feminicídio que chocou Cruzeiro do Sul na terça-feira (23) foram revelados pelo delegado Vinícius Almeida, responsável pelo caso. Maria José de Oliveira, 51 anos, foi assassinada a facadas pelo ex-companheiro na frente dos filhos, mesmo com medida protetiva em vigor.
De acordo com o delegado, o agressor de 61 anos descumpria regularmente a medida protetiva, mas a vítima e os filhos não haviam comunicado às autoridades. “Vale o alerta para as mulheres sob medida protetiva: é fundamental notificar a polícia sobre qualquer descumprimento para que possamos representar pela prisão”, afirmou Almeida.
O crime ocorreu por volta das 6h da manhã, quando o homem invadiu a residência onde a vítima morava com cinco filhos – três menores (8, 10 e 12 anos) e dois maiores. Um dos filhos maiores, que estava na sala, viu o pai entrar e dirigir-se diretamente à cozinha, onde Maria José se encontrava. Pouco depois, ouviu os gritos da mãe e a encontrou já esfaqueada com uma faca peixeira.
Histórico de violência e abusos
O delegado revelou que o agressor já era investigado por violência doméstica e abusos sexuais contra as próprias filhas. Em 2022, duas filhas maiores relataram que, quando crianças (por volta de 10-12 anos), foram abusadas sexualmente pelo pai e obrigadas a praticar sexo com primos.
“O delegado Heverton, que investigava o caso, representou pela prisão, mas a Justiça entendeu que pelo lapso temporal dos fatos não havia motivo para decretar a prisão preventiva, mesmo com o MP favorável”, explicou Almeida. A vítima havia fugido da zona rural de Tarauacá no início do ano para se proteger das agressões.

Comportamento do agressor após o crime
Durante o interrogatório, o homem negou o crime de forma “fria”, segundo o delegado. “Ele alega simplesmente não lembrar de ter matado a vítima, nega que estuprava as filhas e se afirma como um bom pai e marido, embora todas as testemunhas digam o contrário”.
Testemunhas relataram que o agressor esnobava e sorria após cometer o crime. “O filho disse que ele ria da situação, debochava, mesmo tendo deixado três filhos pequenos sem mãe”, completou o delegado.
O caso continua sob investigação da Polícia Civil, que já ouviu pelo menos cinco testemunhas. As crianças que presenciaram o crime receberão acompanhamento psicossocial.






