Caso Benício: polícia conclui que menino de 6 anos morreu após erro médico e overdose de adrenalina

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Investigação aponta que criança recebeu medicamento na veia em vez de inalação; profissionais e diretores de hospital foram indiciados.

A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte de Benício, de 6 anos, ocorrida em novembro de 2025 em um hospital particular de Manaus, e apontou que o caso foi resultado de um erro médico grave.

Segundo o inquérito, a criança morreu após receber uma dose de adrenalina na veia o que teria provocado uma overdose quando o correto seria a administração por inalação. Peritos afirmaram que o quadro se tornou irreversível rapidamente.

A investigação também descartou falhas na intubação ou na condução da equipe de UTI.

Atendimento e aplicação do medicamento

Benício deu entrada no hospital com quadro de tosse seca e, segundo a polícia, não apresentava gravidade inicial. Ainda assim, a médica responsável pelo atendimento prescreveu adrenalina intravenosa, medicamento de alta vigilância.

A medicação foi aplicada por uma técnica de enfermagem mesmo após questionamentos da mãe da criança sobre o procedimento. Poucos minutos depois, o menino passou mal e foi encaminhado à UTI, onde morreu cerca de 14 horas depois.

Conduta da médica é questionada

Durante a investigação, foram encontradas mensagens no celular da médica que indicariam distração durante o atendimento, incluindo conversas sobre venda de cosméticos e movimentações financeiras.

A polícia também aponta tentativa de afastar a responsabilidade pelo caso com a apresentação de uma versão sobre suposta falha no sistema do hospital hipótese descartada por perícia.

A médica foi indiciada por homicídio com dolo eventual além de fraude processual e falsidade ideológica. Ela responde em liberdade.

Técnica de enfermagem e diretores também são indiciados

A técnica de enfermagem responsável pela aplicação da adrenalina também foi indiciada por homicídio com dolo eventual. A investigação afirma que houve desrespeito a protocolos básicos de segurança como a dupla checagem e a orientação para administração por inalação.

Dois diretores do hospital foram indiciados por homicídio culposo. Segundo a polícia havia falhas estruturais como número insuficiente de profissionais e ausência de farmacêutico além de possível priorização de redução de custos.

Posicionamento do hospital e defesa

O hospital informou que ainda não foi formalmente notificado sobre o indiciamento dos diretores e afirmou colaborar com as autoridades.

A defesa da médica nega falhas no sistema e sustenta que houve problemas no atendimento. A defesa da técnica afirma que ela segue afastada da profissão.

Família cobra responsabilização

Os pais de Benício afirmam confiar nas conclusões da investigação e esperam punição dos envolvidos.

“Os responsáveis precisam ser punidos pelo que aconteceu, até mesmo para que outras crianças e famílias não passem pelo que estamos passando”, disse a mãe da criança.

Por: G1

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