As canetas emagrecedoras produzidas no Paraguai passaram a ocupar um espaço antes dominado por produtos como videocassetes, videogames e bebidas importadas no mercado de contrabando na fronteira com o Brasil.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o crescimento da entrada irregular de medicamentos à base de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, tem sido acompanhado pelo aumento das apreensões realizadas pela Receita Federal e pela Polícia Federal, principalmente na região de Foz do Iguaçu (PR), na divisa com Ciudad del Este.
Dados da Receita mostram que, entre maio e dezembro de 2025, foram apreendidas 7.479 unidades de ampolas e canetas emagrecedoras. Em 2026, esse número já chegou a 71.860 unidades, um salto de mais de 860%.
Além da comercialização desses produtos em farmácias paraguaias, autoridades sanitárias do país vizinho já emitiram alertas sobre a circulação de versões falsificadas de alguns medicamentos, apontando riscos à saúde pública.
O tema também tem reflexos na Bahia. Em reportagem publicada recentemente, o Jornal Metropole mostrou como as chamadas “canetas paraguaias” têm chegado ao estado, impulsionadas pela busca por alternativas mais baratas aos medicamentos comercializados no Brasil. A matéria destacou ainda o crescimento da procura por esses produtos e os alertas de especialistas sobre os riscos da automedicação e da aquisição de substâncias sem autorização da Anvisa.
Mudança no mercado
Ao longo das últimas décadas, os produtos trazidos ilegalmente do Paraguai acompanharam as transformações do mercado de consumo. Nos anos 1980, eram comuns itens como videocassetes, toca-fitas, relógios digitais, brinquedos, perfumes e uísques.
Na década seguinte, a procura se voltou para eletrônicos, como videogames, computadores e aparelhos de som. Já nos anos 2000, celulares, notebooks e smartphones passaram a liderar o comércio na fronteira.
Hoje, o avanço das canetas emagrecedoras representa uma nova fase desse mercado, que também vem sendo marcado pela atuação crescente do crime organizado e pela redução da participação dos tradicionais sacoleiros.
Com informações da Folha de S.Paulo – Metro 1






