A Justiça condenou um cacique a 18 anos, 8 meses e 15 dias de prisão por uma série de crimes cometidos contra a própria companheira em uma aldeia localizada no município de Feijó, no interior do estado.
A sentença foi definida após a análise de depoimentos e provas reunidas durante o processo, que apontaram um histórico de violência contínua ao longo do relacionamento. A vítima, natural do Paraná, passou a viver com o acusado em março de 2021, na Aldeia Boca do Grota. Segundo os autos, as agressões começaram poucos meses depois e se tornaram cada vez mais frequentes.
Um dos episódios mais graves ocorreu durante a gestação da vítima. Conforme relato apresentado no processo, a mulher foi agredida com uma cotovelada na região do abdômen, fato presenciado pela própria filha. As agressões teriam contribuído para a perda do bebê, que nasceu sem vida aos sete meses, em um contexto sem atendimento médico imediato, agravando o estado de saúde da mãe.
Além das agressões físicas, o caso também envolve ameaças constantes e restrição de liberdade. A vítima teria sido impedida de deixar a aldeia em diversas ocasiões, sob intimidações. Em uma tentativa de fuga, ao buscar ajuda em uma embarcação de atendimento de saúde indígena, ela foi retirada à força e levada de volta.
O processo aponta ainda que a mulher foi mantida em isolamento, sem acesso à comunicação e com dificuldades de locomoção, além de ter tido documentos pessoais retidos, o que dificultava qualquer tentativa de pedir ajuda.
Após ser resgatada em junho de 2022, a vítima relatou outros episódios de violência, incluindo abusos sexuais e agressões com objetos, que resultaram em lesões confirmadas por exames.
Diante da gravidade dos fatos, o réu foi condenado por diversos crimes, incluindo lesão corporal no contexto de violência doméstica, cárcere privado, estupro, constrangimento ilegal e retenção de documentos.
Apesar da condenação, a decisão judicial permite que ele responda em liberdade até que o processo seja окончado de forma definitiva.






