Buracos e acúmulo de lixo marcam o fim de 2025 e lideram reclamações em Cruzeiro do Sul

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Na reta final de 2025, moradores de Cruzeiro do Sul enfrentam problemas recorrentes que voltam a ganhar força com o período chuvoso: ruas esburacadas, lixo acumulado e alagamentos em diferentes bairros da cidade. As dificuldades impactam a mobilidade urbana, a economia local e aumentam os riscos à saúde da população.

Em diversos pontos do município, a pavimentação cedeu e a falta de manutenção preventiva transformou o tráfego em um desafio diário. No bairro que corta a Avenida Coronel Mâncio Lima, a moradora Natercia Valente, que vive na região há quase quatro décadas, relata que precisou usar recursos próprios para conseguir acesso à própria residência.

“Não dava mais para entrar nem de carro, nem a pé. Tivemos que fazer uma entrada de cimento para conseguir passar. Meu comércio aqui na frente acabou fechando porque os clientes não conseguiam chegar”, contou.

Segundo os moradores, intervenções pontuais chegaram a ser feitas, mas sem solução definitiva. Em muitos casos, o barro e a brita aplicados são levados pela chuva, fazendo com que o problema volte em poucos dias.

A situação se agrava nos ramais da zona rural. Mesmo durante o verão amazônico, período considerado mais favorável para obras de recuperação, muitas vias não receberam manutenção. Com a chegada das chuvas, o acesso a essas localidades se tornou quase impossível.

Outro problema frequente é o acúmulo de lixo e entulhos às margens das ruas e córregos. O material acaba sendo arrastado pela água, entupindo bueiros e impedindo o escoamento da chuva. No final da Avenida Coronel Mâncio Lima, o morador Francisco Felício da Costa afirma que faz, por conta própria, a limpeza do córrego para evitar que a casa seja alagada.

“Se eu não limpar, a água entra dentro de casa. Já desentupi bueiro várias vezes. A gente faz porque não quer perder tudo”, relatou.

O resultado são alagamentos frequentes, prejuízos materiais e exposição das famílias a riscos sanitários. A água parada, misturada com lixo e esgoto, cria um ambiente propício para doenças. O assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde, Lindomar Ferreira, alerta para os perigos.

“Há risco de leptospirose, hepatite A, doenças diarreicas e também o aumento do contato com animais peçonhentos, que acabam entrando nas casas durante as enchentes”, explicou.

Os impactos também atingem o comércio e os serviços. No bairro Aeroporto Velho, trabalhadores relatam que a água invade oficinas e estabelecimentos em dias de chuva. O mecânico Saraiva afirma que os buracos aumentaram os prejuízos para os motoristas.

“Hoje as rodas não só empenam, elas quebram. Para quem tem carro é prejuízo direto. Para trabalhar aqui quando chove é muito difícil, a água passa dentro da oficina”, disse.

Procurada, a Secretaria Municipal de Obras e Limpeza Pública informou que as equipes atuam diariamente na limpeza de bueiros, drenagem e retirada de entulhos. O secretário Carlos Alves destacou que o volume intenso de chuvas e o descarte irregular de lixo contribuem para o problema.

“Temos feito desobstrução de bueiros e limpeza de córregos, mas a população precisa colaborar e evitar jogar lixo nesses locais. Também enfrentamos dificuldades pontuais com caminhões quebrados, o que pode atrasar a coleta”, afirmou.

Enquanto soluções definitivas não são implementadas, moradores seguem convivendo com transtornos, prejuízos financeiros e riscos à saúde, cobrando planejamento e ações mais eficazes para uma cidade que cresce, mas ainda enfrenta sérios desafios estruturais.

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