A brasileira Marina Lacerda, uma das mulheres que acusam o financista Jeffrey Epstein de abuso sexual, afirmou viver sob constante estado de alerta após receber ameaças desde que tornou público seu relato. Atualmente morando nos Estados Unidos com a filha de 12 anos, ela diz dormir com uma arma ao lado da cama por medo de invasões e represálias.
Em entrevista à agência Reuters, Marina relatou que passou a conviver com o receio permanente de ser atacada após participar, em setembro do ano passado, de uma coletiva de imprensa que defendia a divulgação de documentos relacionados ao caso Epstein.
“Tenho medo de que alguém entre na minha casa. Estou paranoica o tempo todo”, afirmou.
Segundo a reportagem, as ameaças começaram a surgir nas redes sociais logo após sua aparição pública. Mensagens anônimas diziam que ela seria assassinada e que deveria ter permanecido em silêncio. A situação se intensificou quando seu nome apareceu diversas vezes em documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sem a devida proteção de dados.
Além dos ataques direcionados à brasileira, sua filha também passou a sofrer constrangimentos. De acordo com o relato, colegas de escola chegaram a questionar se ela seria filha de Epstein.
Para dificultar a identificação de seu endereço, Marina alterou o nome utilizado em registros imobiliários. Apesar dos impactos emocionais, ela afirma não se arrepender de ter denunciado os abusos.
“Adoro ter quebrado o silêncio. O que veio depois disso é pura paranoia”, declarou.
Outras vítimas também relatam intimidação
O caso de Marina não é isolado. A Reuters identificou ao menos 23 mulheres que afirmam ter sofrido ameaças, assédio ou perseguição após denunciarem Epstein ou terem seus nomes expostos em documentos oficiais.
Entre elas está Danielle Bensky, que relatou ter recebido mensagens violentas após a divulgação de informações pessoais. Em uma das ameaças, um homem afirmou que a estupraria até a morte.
Outra vítima, Maria Farmer, contou que precisou mudar de residência depois que seu endereço foi divulgado na internet. Ela relatou ainda ter enfrentado graves problemas emocionais em decorrência das ameaças e do assédio sofrido.
Segundo a reportagem, muitas das mulheres passaram a adotar medidas extremas de segurança, incluindo instalação de câmeras, contratação de proteção privada e uso de equipamentos de defesa pessoal.
Caso Epstein
Marina Lacerda foi identificada como “Vítima Menor 1” na acusação federal de tráfico sexual apresentada contra Epstein em 2019. Ela afirma que tinha 14 anos quando foi abusada pelo empresário, em 2002.
Epstein morreu em uma prisão de Nova York em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual de menores. A morte foi oficialmente classificada como suicídio. Sua ex-companheira, Ghislaine Maxwell, foi condenada em 2021 por auxiliar nos crimes e cumpre pena de 20 anos de prisão.






