A crise institucional e política na Bolívia ganhou um novo capítulo com a prisão do procurador-geral do Estado, Roger Mariaca. Ele foi detido na noite de quarta-feira (30), no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz, sob acusações relacionadas a corrupção e supostos vínculos com o narcotráfico.
A prisão foi confirmada oficialmente nesta quinta-feira (1º) pelo governo do presidente Rodrigo Paz Pereira. Ao todo, 14 pessoas foram detidas durante as operações realizadas nas últimas horas, segundo o ministro do Governo, Marco Antonio Oviedo.
De acordo com Oviedo, quatro dos presos são altos funcionários do Ministério Público, da Procuradoria de Santa Cruz e da Procuradoria de La Paz. O ministro afirmou ainda que outras quatro pessoas foram detidas sob suspeita de retirar grandes quantias de dinheiro da residência de Mariaca durante a madrugada, utilizando uma ambulância.
Segundo o governo, os valores seriam provenientes de supostas extorsões contra cidadãos que procuravam o Ministério Público em busca de atendimento judicial.
Governo afirma ter desmantelado organização criminosa
Durante as primeiras declarações oficiais sobre a operação, Oviedo afirmou que uma organização criminosa teria se infiltrado no sistema judiciário e na administração do Ministério Público.
Segundo o ministro, o grupo seria liderado por Roger Mariaca e teria atuado para promover e proteger estruturas relacionadas ao chamado narcoterrorismo no país.
Oviedo também relacionou as investigações aos 53 dias de bloqueios registrados na Bolívia. O governo havia acusado anteriormente os movimentos de serem financiados pelo narcoterrorismo e agora afirma que as prisões ajudariam a identificar a origem dos recursos utilizados para financiar os bloqueios, além de ações de intimidação e outros episódios ocorridos durante o período.
As acusações, contudo, fazem parte das investigações conduzidas pelas autoridades bolivianas e deverão ser submetidas aos procedimentos judiciais correspondentes.
Procurador havia sido sancionado pelos EUA
A prisão ocorreu apenas dois dias depois de o governo dos Estados Unidos revogar o visto diplomático de Roger Mariaca. O nome do procurador havia sido incluído em uma lista de sanções norte-americanas, sob acusações de corrupção e de suposta ligação com redes do crime organizado.
Segundo as autoridades dos Estados Unidos, Mariaca teria aceitado subornos para facilitar a atuação de organizações criminosas e ajudado integrantes de grupos violentos a escapar da Justiça.
Antes de ser detido, o procurador-geral negou as acusações. Em declarações públicas, classificou a medida adotada por Washington como interferência e pressão política e afirmou que a sanção poderia estar relacionada a investigações sensíveis conduzidas sob sua responsabilidade.
Reação dentro do Ministério Público
A prisão provocou reação entre integrantes da Procuradoria-Geral boliviana. Membros da instituição contestaram a forma como Mariaca foi detido e classificaram a ação como um “sequestro” institucional, alegando que o procedimento teria ocorrido sem o devido rigor jurídico e sem respeito às garantias constitucionais relacionadas ao cargo.
Em contrapartida, setores ligados ao governo defenderam a operação e afirmaram que as denúncias precisam ser investigadas. A administração de Rodrigo Paz Pereira vem buscando ampliar a cooperação com os Estados Unidos e participar de iniciativas voltadas ao combate ao crime transnacional.
O caso deverá avançar agora para as instâncias judiciais bolivianas, que deverão analisar as acusações e as circunstâncias das prisões realizadas durante a operação.





