Em Cruzeiro do Sul, a prática do balé tem conquistado pessoas de diferentes idades e mostrado que a atividade vai muito além da dança. A modalidade reúne momentos de movimento e expressão corporal, mas também exige instantes de silêncio, concentração e conexão com o próprio corpo. Considerada por muitos uma arte terapêutica, a prática trabalha atenção, equilíbrio, postura e coordenação motora, contribuindo para o desenvolvimento físico e emocional de quem participa
Bailarina há 16 anos, a professora Laura Cavalcante conta que o interesse pelo balé começou ainda na infância. Hoje com 20 anos, ela lembra que teve o primeiro contato com a dança por volta dos três ou quatro anos de idade.
“Foi uma paixão à primeira vista. Eu costumo dizer que não escolhi o balé, o balé me escolheu. Ele é o que me salva, é o que me faz feliz. Cada vez que estou no palco é como se fosse a primeira vez. Meus olhos brilham e sinto aquela emoção, como borboletas no estômago”, relata.
Em 2025, Laura recebeu o convite para assumir um novo desafio: tornar-se professora de balé. Segundo ela, o início foi marcado por inseguranças, mas também pela confiança na própria trajetória.
“Quando recebi a proposta, veio o medo de não conseguir. Mas olhei para toda a minha história e percebi que era capaz”, afirma.
Atualmente, ela conduz um projeto de ensino de balé, atendendo alunos a partir dos três anos de idade até turmas para adultos.
Desafios e aprendizado em cada fase
De acordo com a professora, existe um mito de que apenas quem começa a praticar balé na infância pode aprender a dança de forma adequada. Para ela, embora iniciar cedo tenha vantagens físicas, adultos também podem desenvolver a técnica.
“Muita gente acredita que precisa começar desde pequeno, mas não é verdade. As crianças têm uma flexibilidade natural, mas o adulto tem mais facilidade de entender a técnica, porque consegue prestar mais atenção e compreender melhor os movimentos”, explica.

Nas aulas para crianças pequenas, o método é mais lúdico. O chamado pré-balé utiliza brincadeiras e dinâmicas para introduzir os primeiros movimentos da dança.
“Com as pequenininhas é tudo mais didático. A gente trabalha dentro de brincadeiras, com movimentos simples como plié e giros básicos”, conta.
Já nas turmas de adolescentes e adultos, o ensino pode avançar para técnicas mais complexas.
Benefícios físicos e emocionais
Além da parte artística, o balé também contribui para a saúde física e mental dos praticantes. Entre os benefícios estão o fortalecimento muscular, melhora da coordenação motora, do equilíbrio e da qualidade do sono.
A psicóloga Jusileide Martins da Silva é uma das alunas adultas do projeto. Ela começou a praticar balé há cerca de quatro meses e relata mudanças significativas no dia a dia.
“Conheço o balé desde criança, mas não tive condições financeiras de fazer na época. Hoje estou tendo essa oportunidade. Em pouco tempo já percebi melhora no equilíbrio, na flexibilidade, no sono e na ansiedade”, conta.
Segundo ela, a experiência também ajuda na autoestima e no bem-estar emocional.
“Muitas pessoas pensam que o balé é só para crianças, mas não é. Ele trabalha tanto o físico quanto o emocional. Aprender algo novo e ter um hobby faz muito bem”, afirma.
Para a professora Laura, essa é uma das maiores recompensas do trabalho: ver pessoas de diferentes idades descobrindo na dança uma forma de expressão e qualidade de vida.
“O balé transforma. Ele ajuda no corpo, na mente e também na confiança das pessoas”, conclui.






