O ataque a tiros registrado no Instituto São José, em Rio Branco, colocou novamente o Brasil diante de um problema que se tornou recorrente nos últimos anos: a escalada da violência dentro do ambiente escolar. O atentado, deixou duas funcionárias mortas, outras pessoas feridas e reacendeu discussões sobre segurança nas escolas, acesso de adolescentes a armas de fogo e influência de conteúdos violentos na internet.
As investigações conduzidas pelas autoridades acreanas confirmaram que o autor dos disparos é um adolescente de 13 anos, aluno da própria instituição. Após o ataque, ele deixou a escola e se apresentou espontaneamente no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, onde confessou participação no crime.
As vítimas fatais foram identificadas como Alzenir Pereira da Silva, de 53 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 37. Testemunhas relataram que as duas tentaram impedir a ação e proteger estudantes e funcionários no momento dos disparos.
A arma utilizada no atentado foi uma pistola calibre .380 pertencente ao padrasto do adolescente, o advogado identificado como R.R.A., registrado como CAC (Caçador, Atirador e Colecionador). A Polícia Civil investiga se houve falha na guarda da arma e como o adolescente teve acesso ao armamento.
O caso foi dividido em duas frentes de investigação: uma relacionada ao ato infracional atribuído ao menor e outra destinada a apurar eventual responsabilidade do padrasto. As autoridades também investigam se houve participação indireta de terceiros e relatos de que outros estudantes poderiam ter conhecimento prévio do ataque.
A governadora em exercício, Mailza Assis, afirmou que existem indícios de que o adolescente “não agiu sozinho”, hipótese que segue sendo analisada pelas forças de segurança.
O atentado provocou repercussão nacional e ampliou o clima de preocupação em escolas públicas e privadas. No Acre, redes estadual e municipal anunciaram reforço nos protocolos de segurança, controle de entrada nas unidades e aumento da presença policial nas escolas.
Uma sequência de ataques que mudou o ambiente escolar no Brasil
Embora episódios de violência escolar tenham ocorrido em diferentes momentos da história brasileira, especialistas apontam que o número de ameaças e ataques aumentou nos últimos anos, especialmente após 2019. Muitos dos casos recentes têm em comum a participação de adolescentes, o uso de armas obtidas dentro do ambiente familiar e a influência de conteúdos violentos disseminados em grupos online.
Entre os episódios mais recentes estão o ataque a uma creche em Blumenau, em 2023, que deixou quatro crianças mortas; o atentado em duas escolas de Aracruz, em 2022, com quatro mortos; e o caso da Escola Estadual Thomazia Montoro, em São Paulo, onde uma professora morreu após ser esfaqueada por um aluno também em 2023.
O massacre de Suzano, em 2019, permanece entre os episódios mais traumáticos do país. Dois ex-alunos armados invadiram a escola Raul Brasil, mataram estudantes e funcionários e depois morreram no local.
O ataque mais letal da história do país
O caso mais grave já registrado no Brasil ocorreu em 2011, no bairro de Realengo, em Rio de Janeiro. Um ex-aluno entrou armado na Escola Municipal Tasso da Silveira e matou 12 estudantes, além de deixar dezenas de feridos. O episódio marcou definitivamente o debate sobre violência escolar no país e passou a ser referência em políticas de prevenção e segurança.
Passados 15 anos do massacre de Realengo, o atentado em Rio Branco mostra que o país ainda enfrenta dificuldades para conter a radicalização de jovens, ampliar mecanismos de prevenção e transformar escolas em ambientes efetivamente seguros.






