Artemis II: entenda por que missão sobrevoou mas não pousou na Lua

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Apesar de a humanidade já ter pisado na Lua em 1969, com a missão Apollo 11, a Artemis II, da Nasa, optou pelo caminho mais cauteloso de apenas sobrevoar o satélite. A decisão, segundo a agência espacial, está diretamente ligada à estratégia de segurança e ao desenvolvimento gradual das novas tecnologias que serão usadas nas próximas missões.

Com duração de cerca de 10 dias, a missão marca o retorno de astronautas às proximidades da Lua após mais de 50 anos. No entanto, ao contrário das missões Apollo que realizaram pousos, a Artemis II tem como principal objetivo testar sistemas essenciais da nave Orion com humanos a bordo.

Um dos fatores técnicos centrais é a missão não contar com um módulo de pouso lunar. Segundo a NASA, a cápsula Orion e o foguete SLS (Sistema de Lançamento Espacial) foram projetados para transporte e navegação no espaço profundo, mas não têm capacidade de realizar o pouso na superfície lunar.

O módulo que permitirá essa etapa, o chamado Starship HLS, desenvolvido pela SpaceX, ainda está em construção e deve ser utilizado apenas na missão Artemis III, prevista para os próximos anos.

A estratégia da NASA segue o princípio básico de testar cada etapa antes de avançar para a próxima, sendo que a Artemis II é o primeiro voo tripulado do programa. Logo, a prioridade é garantir o funcionamento dos sistemas de suporte à vida, a estabilidade térmica da espaçonave, as condições de habitabilidade para os astronautas e o desempenho de navegação, comunicação e propulsão.

Além disso, a missão avalia fatores humanos inéditos em relação à Artemis I (não tripulada), como alimentação, consumo de água, geração de umidade e uso de sistemas sanitários a bordo.

Outro ponto importante é o tipo de trajetória adotada. A Artemis II utiliza um perfil chamado de “retorno livre”, no qual a nave contorna a Lua e retorna à Terra automaticamente, aproveitando a gravidade lunar.

Isso significa que, mesmo em caso de falha grave, a tripulação ainda conseguiria voltar ao planeta sem a necessidade de manobras complexas, reduzindo significativamente os riscos da missão.

Em 1968, a missão Apollo 8 também levou astronautas até a Lua sem realizar pouso. Na época, o módulo lunar ainda não estava pronto, e a missão serviu como teste para navegação e operações no espaço profundo.

O pouso na Lua está previsto para a Artemis III, quando a Orion deverá se acoplar ao módulo lunar em órbita e transferir astronautas para a descida até a superfície.

Até lá, a Artemis II cumpre um papel considerado essencial de reduzir incertezas, testar sistemas em condições reais e garantir que as próximas missões possam ocorrer com maior segurança.

Por CNN Brasil

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