A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão de uma linha de produção da Ypê, em Amparo, no interior de São Paulo, após uma nova detecção de bactéria em produtos de limpeza fabricados pela empresa.
A medida foi adotada após fiscalização identificar falhas sanitárias e problemas de higiene na unidade industrial. Segundo o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS), esta é a segunda vez que micro-organismos são encontrados em produtos da marca.
De acordo com os fiscais, foram constatados acúmulo de sujeira, poeira em máquinas e tubulações, além de falhas nos processos de limpeza e controle de qualidade da fábrica.
A bactéria identificada foi a Pseudomonas aeruginosa, considerada um risco principalmente para pessoas com baixa imunidade e frequentemente associada a infecções hospitalares.
Segundo o diretor do CVS, Manoel Lara, a decisão ocorreu porque a empresa não conseguiu solucionar de forma definitiva os problemas apontados em inspeções anteriores.
“Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos, tanto documentais quanto relacionadas à higiene e limpeza das áreas de produção”, afirmou.
A vigilância sanitária também investiga a possibilidade de contaminação da água utilizada na fabricação dos produtos por esgoto, hipótese que ainda está em análise.
A linha suspensa possui capacidade para produzir cerca de 23 mil toneladas de detergente e 33 mil toneladas de lava-roupa líquido por ano.
A Anvisa determinou o recolhimento de produtos fabricados entre abril e setembro de 2025. Outros lotes produzidos posteriormente permanecem retidos para análise.
Apesar da medida, outras linhas de produção da empresa, tanto na unidade de Amparo quanto em fábricas de outras regiões do país, seguem funcionando normalmente.
A Prefeitura de Amparo informou que a empresa terá prazo de dez dias para apresentar recurso e um plano de ação com medidas corretivas.
Em nota, a Ypê afirmou que possui laudos técnicos independentes que atestam a segurança dos produtos e declarou confiar na reversão da decisão da Anvisa.
“A empresa mantém diálogo contínuo e colaborativo com a Anvisa e confia plenamente na reversão da decisão no menor prazo possível”, informou a fabricante.






