“Precisava ser assim?”. Não foram poucos os torcedores do Botafogo que, aliviados, fizeram o questionamento na saída do Estádio Nilton Santos após a vitória por 3 a 2 sobre o Mirassol, nesta quarta-feira. Melhor no jogo, o clube carioca se viu pressionado nos últimos minutos e foi salvo pelo zagueiro Justino, um dos destaques da partida. Com ou sem sufoco, o Botafogo voltou a vencer, deixou a zona de rebaixamento e ganha esperança com a chegada de uma nova comissão técnica.
Abril pode voltar a ser o mês da virada de chave do Botafogo. A esperança é que o sucesso obtido a partir do quarto mês do ano seja repetido, assim como foi anteriormente. No 1º de abril, não foi mentira: o Botafogo venceu e saiu do Z-4.
Rodrigo Bellão foi o técnico na partida de hoje, enquanto Franclim Carvalho não foi anunciado pelo Botafogo. O time escolhido para começar o jogo foi: Raul; Vitinho, Bastos, Justino e Alex Telles; Allan, Edenilson e Medina; Santi Rodríguez, Júnior Santos e Arthur Cabral. A escolha que significou uma mudança na formação do time foi ter Allan como o primeiro volante.
Nas últimas partidas, principalmente nos jogos contra Palmeiras e Athletico-PR, o Botafogo sofreu muito por não ter um primeiro volante com características de marcação, algo que obteve com Allan. Embora não tenha sido a melhor partida individual do camisa 25, ter o jogador naquela função foi essencial para libertar Medina e Edenilson.
Logo no começo do jogo, Medina pisou na área e deixou a bola com Júnior Santos, que quase marcou. O primeiro gol saiu do outro lado, com um bom lançamento de Alex Telles para Edenilson. O volante atraiu a marcação e contou com uma noção correta de posicionamento de Arthur Cabral, que recebeu e marcou um golaço para abrir o placar.
Essas subidas dos volantes foram comuns durante toda a partida, tudo isso sustentado por ter alguém para carregar o piano atrás. Diante do Athletico-PR, as subidas da dupla deixaram espaços que foram preenchidos por adversários. Isso não aconteceu nesta quarta-feira.
Mesmo melhor do que nas últimas partidas, o Botafogo falhou defensivamente. O gol de Shaylon que empatou o jogo para o Mirassol aconteceu em uma jogada de escanteio que tinha Raul mal posicionado. Depois do 1 a 1, o Botafogo teve muitas dificuldades para voltar a criar e ter a bola. O Mirassol é uma das equipes que mais retém a posse de bola no Brasileirão, estatística ressaltada pelo técnico Rodrigo Bellão na coletiva de imprensa, e teve 65% no jogo.
Perto do fim da etapa inicial, a subida dos volantes mostrou-se decisiva novamente. Santi Rodríguez avançou com espaço em contra-ataque e encontrou um passe para Medina, derrubado por Walter na grande área. Alex Telles cobrou bem e fez para o Botafogo.
Com a vantagem, o Botafogo foi inteligente e entendeu que não adiantaria ter a posse de bola contra o Mirassol, e o ideal era explorar a velocidade dos lados para chegar ao ataque. Júnior Santos passou a ser mais explorado dessa forma, e ficou muito perto de marcar quando tentou cavar contra Walter. Em jogada de Edenilson (outra subida de um volante), Júnior Santos ganhou uma segunda chance e fez o seu primeiro no retorno ao Botafogo.
Em determinado momento, o Botafogo estava mais próximo de transformar o placar em uma goleada do que de sofrer o gol, mas o roteiro de 2026 é sobre tensão, e não poderia deixar de ser diferente nesta quarta-feira. Igor Formiga descontou para o Mirassol nos acréscimos após cobrança de escanteio que a marcação vacilou. Em seguida, os visitantes quase empataram, mas Justino conseguiu travar a finalização adversária praticamente no último lance e garantiu a vitória alvinegra.
O Botafogo quer uma virada de chave em um 2026 marcado por problemas jurídicos, eliminações e dificuldades em campo. O clube aguarda a chegada de Franclim Carvalho, que deve estrear na próxima semana como treinador. É a esperança que o “dia da mentira” traga um “Ano Novo”, este sim verdadeiro.
Por Globo Esporte






